quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Dois Poemas de Paul Celan

1

Ilegibilidade deste
mundo. Tudo em dobro.

os fortes relógios
dão razão à hora cindida,
roucos.

tu, presa nas tuas profundezas,
somes de ti
para sempre.


2

CRISTAL

Não procura nos meus lábios tua boca,
não diante da porta o forasteiro,
não no olho a lágrima.

Sete noites acima caminha o vermelho ao vermelho,
sete corações abaixo bate a mão à porta,
sete rosas mais tarde rumoreja a fonte.



(trad. Cláudia Cavalcanti)

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