terça-feira, 28 de novembro de 2023

bacantes

 

elas – sobre quem dispõe deveres

e os lares submersos assombram

com esgares de toda a monta –

foram chamadas à montanha

 

pele de gamo e folhas de hera

ornam-lhes a cabeça

jovens tranças em desalinho

se aprestam aos ares

 

dentuças se atiçam desabaladas

em correria em gritos em fúria

tomam o vinho que escorre

desde os peitos até os pés

 

e com a ponta concava da boceta

os corpos pisoteiam e cobram

a desdita e a descrença

aos que a elas tecem enganos

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

brecht

 

dançam leves partículas em sôfregas

manhãs greve buzina o só alvoroço

a cama guarda o frígido acorçoo

flâmula nos lençóis em amarroto

 

descobrem-se rotos – vagares íntimos –

os poemas em desalinho sem fogo

aguardam quietos caírem gotículas

do lá fora chuva em abstruso coro

 

nada veste o desacordo entre a tez

dos presos à rua e o cárcere plúmbeo

privado e límpido do chão burguês

 

sequer refreiam-se – ante o acúmulo –

ante a turba – em suas torres de indez

se negam corpos por temor do chumbo