quinta-feira, 29 de abril de 2010

Belo poema do Joaquim Cardoso enviiado pelo Elesbão

MAL-ASSOMBRADO*

Paredes altas, nuas, planas, desertas.
As cortinas modulam formas de colunas longas...
Luz indireta, luz diabólica...
Tocavas no piano grande e negro harmonias transparentes:
Havia um ponto brilhante em tua mão.

Eu tive medo de ver a tua alma.

Joaquim Cardoso

terça-feira, 27 de abril de 2010

SHOW E LANÇAMENTO DO CD

SHOW CONSONÂNCIA
Dia do Show: 23/05/2010
Valor do Couvert: Entrada Franca
Abertura da Casa: 18h00
Horário de início do show: 19:30h

O poeta e músico Guinho Frazão lançará o seu segundo CD no Centro Cultural Carioca. Em seu mais novo trabalho, o CD autoral “CONSONÂNCIA”, Guinho põe em diálogo vários gêneros musicais, que vão da moda de viola à bossa-nova. Como cantor e cavaquinhista já participou de blocos carnavalescos tais como Virtual e Q. M. é Essa e de outros grupos de MPB e Samba.
Neste show de lançamento ele contará com a participação dos músicos Rorigo Marconi: Violão (Arranjador do CD), Chico Araripe: set de bateria e percussão , Edelson Rocha: Tantã e voz, Júlio Paredes: Percussão, Dinho Atayde: voz e violão e participação de Catinha jovem, exper iente e simpática cantora de casas noturnas cariocas.
Como convidados especial Guinho receberá Marcus Ferrer conhecido por seu trabalho no campo da música erudita, principalmente, com a viola caipira. Abrindo o show Guinho e Marcos farão um duo de viola caipira , que promete ser marcante e no segundo set, Marcus Ferrer adere ao campo popular executando um violão 7 cordas, instrumento que tocava no início de sua carreira. Mostrará que no samba, não há diferença entre o erudito e o popular.
O show de lançamento do CD “Consonância” será uma grande festa com momentos diferenciados e terminará com sambas de Guinho Frazão, bem no clima dos ensaios carnavalescos.

domingo, 25 de abril de 2010

OFICINA


Colóquio Literatura de 30

III COLÓQUIO DE LITERATURA BRASILEIRAEM TORNO DO ROMANCE DE 30

Local: Anfiteatro de História (FFLCH/USP)
R. Prof. Lineu Prestes, 338. Cidade Universitária

Período:
04/05/10 a 06/05/10

Inscrições:Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (prédio das
Letras) - Av. Prof. Luciano Gualberto, 403, sala 09, das
09h30 às 16h30, ou pelo site www.fflch.usp.br/dlcv

Apoio:
Programa de Pós-Graduação em
Literatura Brasileira

Organização:
Simone Rossinetti Rufinoni, Ivan Marques e
Ricardo Souza de Carvalho

04/05/1010H00
Alfredo Bosi (USP) / Caminhos do romance na década de 30.
14H00

Vagner Camilo (USP) / Banguê e a crise do retorno do nativo.

Eduardo de Assis Duarte (UFMG) / Dos “cadernos de aprendiz” ao “romance romanesco”: Jorge Amado, narrador do Brasil.

Maria da Glória Bordini (UFRGS) / Erico Verissimo nos anos 30: o contraponto e a forma da cidade moderna.

16H00
Valentim Facioli (USP) / Vidas Secas e as águas do capital.
Vilma Arêas (Unicamp) / O quinze: as escolhas na encruzilhada.
Ricardo Carvalho (USP) / Romance de 30 e
Naturalismo: de Luzia-Homem a Conceição.

05/05/10
10H00
Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP) / O romance de 30: a sombra do passado no trânsito do moderno.

14H00
Simone Rossinetti Rufinoni (USP) / Fronteira, de
Cornélio Penna: um romance da decadência.
Gilberto Martins (UNESP-Assis) / Outras confissões de Lúcio.
Ivan Marques (USP) / Em busca do tempo presente: O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos.

16H00
Murilo Marcondes de Moura (USP) / O círculo da necessidade (apontamentos para uma leitura de Os ratos).
Ana Paula Pacheco (USP) / A atualidade de O louco do Cati, de Dyonélio Machado.
Augusto Massi (USP) / Caminhos cruzados: Dyonélio Machado e Erico Verissimo.

06/05/10

10H00
Luís Bueno (UFPR) / A modernização brasileira em
Guimarães Rosa e José Lins do Rego.

14H00
Alcides Villaça (USP) / Uma história recolhida: Pureza, de José Lins do Rego.
Ariovaldo José Vidal (USP) / A poética de Marques Rebelo.
Erwin Torralbo Gimenez (USP) / A letra e o leitor em Angústia, de Graciliano Ramos.

16H00
Luiz Roncari (USP) / Lúcia/Miguel: romance e crítica.
Marcos Moraes (USP) / O romance de 1930 na correspondência de Mário de Andrade.
Jaime Ginzburg (USP) / O elogio da exclusão. Autoritarismo e debate intelectual nos anos 30 no
Brasil.

sábado, 24 de abril de 2010

Memória

fomos pegos atrás da cama pela mãe dela e por minha mãe
minha mãe prometeu-me meu pai
durante aquela noite esperei meu pai
meu pai não veio
quem afinal nos concedeu perdão
pelo que minhas mãos meninas
perscrutavam
naquele corpo dela
também menina?

elesbão ribeiro
24/04/10

Leituras - A crítica como papel de bala

O texto de Flora Sussekind, no O Globo de hoje, 24/04/2010, é importante pela lucidez e precisão na análise dos tempos atuais e pelas possibilidades críticas da crítica contemporânea.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

LUZ

luz

que você manche de sol a escuridão
não como um deus que imagina vulcões
ou um homem que pinta um abismo só seu
mas como uma mulher
que acorda
com a manhã
empoierada
e
enobrecida



que sejam vivos os ruídos
sem lamentos ou desejos
recusados
e que seja hora de dizer
adeus
sempre
desde o começo
de todos os tempos.

(Lúcia Leão)

Cachaça, Árvore e Bandeira

Cachaça, Árvore e Bandeira


Para ouvir-se a bela música feita por Moacyr Luz e Aldir Blanc, é necessário unção. A homenagem prestada a Carlos Cachaça emociona, na voz arranhada de Moacyr, nos versos de Aldir, que retomam em citações mínimas o universo musical do poeta de Mangueira. Vejam a graça indizível, como diria Vinícius, ao se referir à mulher que volta, da expressão “aurora bordadeira”, que veste o rosa do arvoredo, quando Mangueira acorda.

A música guarda ainda alguns outros achados muito bonitos. O processo metonímico em que Carlos Cachaça é ao mesmo tempo o gênio da raça, a fina flor, o mito da massa, o Embaixador, raiz, tronco, folha sagrada abre a possibilidade de verificar-se a integralidade do retrato do artista e seu alcance mágico e profundo. Deixando de ser identidade, o artista passa a entidade e empunha o que de mais precioso pode ter um país, a herança de seus mestres, de seus sábios, por isso o Sambista passa a ser dança.

No plano do simbólico, ser dança é produzir sentido para além do sentido, sabiam-no já os gregos que tinham sua expressão identitária da representação artística na dança, só que por representação artística entendiam eles a identidade da própria polis, onde o processo de integração de seus habitantes se dava a partir da rítmica que levava o corpo a integrar-se também ao cosmo. A festa dionisíaca é festa da dança, as bacantes dançam insufladas pelo ritmo frenético da música.

Ao transformar-se em dança, do artista afirma-se ser a bandeira possível e desejada que bordará, como diz Aldir Blanc, o céu estrelado de nossa bandeira pela bandeira viva dos mestres-estrela a identificar com a história de seu povo.

(oswaldo martins)

Abaixo, a letra da composição homenagem aos poetas do samba:

Gênio da raça,
Carlos Cachaça –
Dos arengueiros, a Fina Flor.

Mito da massa,
Carlos Cachaça,
Da Verde-rosa, o Embaixador.

O tempo passa
Na corredeira...
Carlos cachaça bebeu Mangueira.

Raiz e tronco,
Folha sagrada onde o morro
Reescreve a história de seu povo
__ Mas essa é verdadeira!

São os tambores
Que narram a lenda guerreira
No Quilombo da Estação Primeira!

É tão bonito
Ver um sambista transformar-se em dança
De ramos verdes onde o vento e a sombra
Transmitem aos filhos sua herança.
Quando o arvoredo amanhece
Vestindo o rosa da Aurora Bordadeira
Cada estrela troca o céu
Pela bandeira da Mangueira!

(Moacyr Luz e Aldir Blanc)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Comentários sobre o URÂNIA

Urânia, de Felipe David Rodrigues, Oswaldo Martins e Alexandre Faria

por Leonardo Amaral

Urânia é uma experiência de forma, seja através da palavra, ou esteticamente por meio das imagens, em planos fechados e animações. Urânia também seria o caminhar em direção ao misterioso,a um novo. Eis uma narração em off que acompanha a sucessão de imagens, palavras narradas (ou declamadas) pelo seu próprio autor, que é também um dos diretores do filme. Felipe David Rodrigues, Oswaldo Martins e Alexandre Faria tem o mérito de não realizar um filme que se escravize apenas à poesia, a imagem poética recursive, quase retórica. O curta trabalha na justaposição de imagens que não procuram ilustrar as palavras, não existe obviedades nessa experiência de cinema.

*Visto na 13 Mostra de Cinema de Tiradentes.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Georg Trakl, novamente

CALMA E SILÊNCIO

Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou a lua
Do lago gelado em áspera rede.

No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.

Mas sempre comove o vôo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.

De novo a fronte anoitece em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.

(tradução: Cláudia Cavalcante)