domingo, 31 de janeiro de 2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

anunciação

a novidade chegará
para mim
mas não de um anjo

o destino será escolhido
entre muitos
sem cerimônia oficial

quando vierem com oferendas
diga-lhes que nessa casa
há um vazio de reis

e que esse coração não carrega
nenhuma prece para
homens que se abandonaram

cada um salva o que consegue
e diz o que pode ferir
menos ou mais

nas minhas palavras
não há mistério ou alegria

não há nelas mais
mistério algum ou
alegria

a vida começa agora

ao contrário do que
todos vocês
puderam um dia
imaginar.

(Lúcia Leão)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

antropofágico

quando a vida se perde
na madrugada

sua canalha
de boêmios
dança no ritmo de capiba

dança no ritmo das damas
do cabaret

solitária canalha
de desusados preceitos

quando morre a vida

resta o gosto
da mão estendida

resta a sabedoria
que se incorpora

em nós

(oswaldo martins)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Amuleto

De noite, levava uma vida boêmia, com os poetas da cidade do México, o que era altamente gratificante para mim e até conveniente, pois na época o dinheiro escasseava e ás vezes eu não tinha nem para pagar a pensão. MAs via de rgra eu tinha. Não quero exagerar. Tinha dinheiro para viver eos poetas da Cidade do México me esprestavam livros de literatura mexicana, de início suas próprias coletâneas, os poetas são assim, depois is imprescindíveis e os clássicos, e desse modo meus gastos se reduziam ao mínimo.

(Amuleto - Roberto Bolaño)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

sonho

dobradiça
abro os olhos correndo e você
não está mais aí

agenda deitada na mesa
espirro o vidro moído
o tapete o único casaco esquecido

recolho apressada o sorriso preparado
e guardo o delírio para muito depois agora
amanhecer

(lúcia leão)

tempo

entre uma
e outra

silêncio

o instante
do ocaso

que não vibra
e deixa
pelos aposentos

a imagem insigne
que nem resto
ainda é

oswaldo martins

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Vicent Olcina

A caça aos micos

No rio dito Amazonas, lá nas Índias,
assim se caça mico à moda índia.
A coisa assim é feita:
alguns jarros de boca muito estreita
de milho os índios enchem, e este ardil
é deixado na margem desse rio.
Em emboscada fica o caçador,
e no instante em que os micos um odor
percebem das espigas, sem suspeita
vão aos jarros, qual ratos à colheita.
Pegam logo uma espiga, e com a mão
tentam de lá tirá-la, mas em vão,
pois nos jarros é feita,
em cada um, uma boca tão estreita
que por ela a mão, como em zona amiga,
sai e entra bem, mas não com uma espiga.
Mas como isso os micos não entendem,
nunca soltam a espiga que à mão predem:
se esforçam e trabalham mais de uma hora
só tentando trazê-la para fora;
mas não conseguem, e com a mão já presa
ficam ali, por não soltar sua presa.
Nisso o caçador pega o seu porrete
e, com a razão do forte, os acomete,
e em troca de umjas boas cacetadas
cobra-lhes as espigas mal roubadas,
ou, se o índio matá-los não pretende,
com o furto em mãos, vivos, ele os prende.

Mais tontas que os micos
por aí muita gente identifico,
que, antes de largar dinheiro ou bens,
perdem a vida - ou a alma, o que é mais além.

(Vicent Olcina - Gorga, 1731 - Roma, 1809)

Informa-nos o tradutor - Fábio Arstimunho Vargas - que Oncina era clérigo e poeta. E, acrescento eu, escrevia de acordo com sua época, na qual a efabulação poética servia para a expressão das moralidades. Chamo a atenção da oração causal e reduzida, que, de certa forma anuncia o desenlace do poema. Uma beleza!
(oswaldo martins)

Convite


domingo, 10 de janeiro de 2010

Poema do dia

Talismán

Oh Fausto! Yo he sentido que se agita
en mi ser la tiniebla de tu hasío;
donde está el Mefistófeles sombrio,
que me acerque a mi blanca Maragita?

Sin que le arrdre el sacrificio iim´pio
por inmorlarse el corazón palpita;
qué supremo holocausto necesita
para poder triunfar el amor mío?...

Mas, oh gloriosos tiempos mediovales!,
fugitiva la Fe tiende su vuelo,
desplomadas están las catredales,

y ya no puede el amoroso anhelo
para lacanzar soñados edeales
vender el alma y abdicar del cielo!

(José Juan Tablada)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Cristina Buarque e Terreiro Grande

O álbum que Crsitina gravou com o grupo Terreiro Grande é daqueles que nascem com o destino dos clássicos. Nos quatro blocos da coletânea, os sambas de diversas procedências são executados e cantados com paixão. Desde o belo O meu nome já caiu no esquecimento passando pelo não menos belo e famoso Quantas lágrimas de Manacéa, que fecha o primeiro bloco até última música com que o quarto e último bloco do álbum se completa, retomando as composições de Paulo da Portela pouco menos conhecidas, o gosto pelo canto, o à vontade com que se deve cantar o samba de terreiro se destaca e promove uma comovida audição, que pede nosso sossego e concentração.

As músicas, grande parte do repertório dos grandes compositores da Portela, recebem um tratamento antológico e preciso. À emoçâo do canto se juntam as vozes contidas dos partideiros e o domínio absoluto de Cristina, de quem um dia Cartola afirmou ser uma cantora para compositor. Aliás, o cantar samba requer um jeito próprio de fazê-lo, e de tal forma que só as pessoas acostumadas a ouvi-los desta maneira podem apreciar sua profunda beleza.

Aliás, deve-se pensar seriamente em estudos que balizem a forma de composição e do canto que as diversas regiões do samba promovem. Um samba da Portela tem modulações que são apenas da Portela, como os da Mangueira, os do Salgueiro, os do Império Serrano são em si mesmos proposições próprias, sem que percam a forma geral do que é o samba carioca. Silas, Mano Décio, Dona Ivone Lara e Wilson das Neves são de escola comum, assim como Cartola, os Nélsosn – Cavaquinho e Sargento, Zé Keti.

Ao dedicar-se ao canto do samba, Cristina nos dá a medida de que é possível juntar à comoção de nos reconhecermos profundamente um amplo estudo de regaste das formas originais e duradou ras do samba.

(oswaldo martins)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

URÂNIA EM TIRADENTES

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Filmes • Curtas
URÂNIA Experimental, Cor, Dvcam, 5min, 2009, RJ Direção: FELIPE DAVID RODRIGUES; CO-DIREÇÃO: OSWALDO MARTINS e ALEXANDRE FARIA

DA JANELA DE SUA CASA, UM HOMEM OBSERVA OS ASTROS.