quarta-feira, 23 de julho de 2008

Olinda e Recife

Inverno é o tempo das águas. Julho. Fez frio, 17º na madrugada das Graças sobre o Capibaribe. Fez sol também. As ondas de Olinda rebelam-se às pedras a travar-lhes a reconquista de milhas ocupadas de seu mar pela cidade.
Nasci no mês de julho. Chegar ao Recife sempre aumenta o gosto por frutas tropicais, sorvetes e sucos. Bom andar calado no meio da gente pelas ruas da Imperatriz, do Hospício, da Aurora, como um fingidor que deveras seja.
Fora tapiocas e demais saberes sensórios, o passado sobrepõe-se a espaços do Rio de Janeiro e do Recife num lugar sobre-real. Melodias de Edu Lobo provêm desse lugar em quinta diminuta.
Vias sujas, Guararapes, Dantas Barreto ou Conde da Boa Vista, e o Recife antigo despojado dos habitantes ativam frevos do velho Raul Moraes. Evocação do bar Savoy em versos de Carlos Pena Filho - São trinta copos de chope (...) Trezentos sonhos frustrados.
Não há capital grande no país, sem tiroteio contra inocentes. Olinda-Recife-Joboatão-Camaragibe-Carpina confirma(m) a prática. Elegias de Mauro Mota sobem do cemitério. O acidente de Chico Science fala dos estados de aceleração d'alma.
Mas de outra ordem mesmo é o trato pessoal direto. Bruto, diriam finórios. Retruca-se na lata. Chovendo ou estiado, quente ou fresco, na turba ou só, antes que eu entendesse, veio daí o que sou.

CLÁUDIO CORREIA LEITÃO

Nenhum comentário:

Postar um comentário