quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Poema galhofeiro 3 e 4

Poema galhofeiro 3

por fim, o ladyslaw conseguiu levar a irmã ao dentista
vamos brincar de cabra-cega?
só não me iludas como fazias como quando éramos pequenos.
sem nada ver, sem nada sentir, por causa da anestesia, a irmã do ladyslaw voltou a sorrir.
embora parva, a irmã do ladyslaw era de uma beleza estonteante
era mesmo uma rapariga por aí afora
se bela por que parva?
se parva por que bela?
perguntava-se o ladyslaw.*
ao menos posso entrar com ela de braço dado no salão
eu sou bonito e ela é bela
consolava-se o ladyslaw.

 *imitando Brás Cuba



Poema galhofeiro 4

ao modo de Dalton Trevisan

o ladyslaw andava mesmo feliz
se antes escondia-se da irmã
andava agora a exibi-la
estaremos lá no baile de sábado
diziam os dois ao mesmo tempo
mas lá pelo meio da semana 
surpreendeu-o um sapinho no canto direito da boca
não posso não posso não posso ir ao baile
gritava o ladyslaw para uma irmã espantada e que nada compreendia


elesbão
20/11/12

No Recife


Palestra no Recife
Em 23 de novembro, 2012

Luiz Costa Lima

Entendo que o convite para participar desta comemoração seria dirigido antes a Paulo Freire do que a mim. Assim o digo porquanto a revista Estudos universitários, junto com a Rádio da Universidade, foram fundadas em conexão com o Serviço de extensão cultural, dirigido por aquele saudoso amigo. Ou, reconhecendo a generosidade dos responsáveis pelo convite, que ele seria extensivo a José Laurênio de Mello, aos muitos que colaboravam com a revista, com a Rádio Universitária e com o SEC. A “indesejada das gentes”, contudo, se antecipou, levou aqueles amigos e apenas a mim poupou.

No momento em que recebi o convite, não apenas, agradecido, o aceitei, como acrescentava que não faria uma evocação dos anos em que Paulo, Laurênio, Orlando da Costa Ferreira, Gastão de Holanda, Sebastião Uchoa Leite, os outros muitos colaboradores e eu trabalhamos em um projeto que hoje eu reconheço como era utópico; que não faria tal evocação se não estivesse seguro que aqueles amigos concordariam ser preferível dedicar o pouco tempo de que disponho a uma reflexão sobre os dias de agora. Mas, se uma reflexão pretende ser eficaz, deve deixar claro sobre que incide. Por isso acrescento: procurarei pensar sobre os rumos do pensamento sócio-filosófico contemporâneo.

Começo por diferençá-lo do tempo que aqui se evoca. Nos anos imediatamente anteriores ao golpe de 1964, o mundo vivia na alternativa de dois sistemas sociais: o capitalismo e o socialismo marxista. Alguém poderá com razão contestar que a alternativa há algumas décadas já não existia, pois o stalinismo convertera o projeto socialista em uma das modalidades do totalitarismo que se espalhava pela Europa. Mas esta não era a perspectiva que então tínhamos. Em troca, hoje ninguém duvidará que o mundo vive sob um capitalismo globalizado. É dentro deste que então se dispõem as duas concepções epistemológicas que irei brevemente assinalar e ainda mais brevemente analisar. Elas ancoram, respectivamente, nos princípios do sujeito autocentrado, e da linguagem, i.e., do que nela textualmente se produz.

A primeira coincide com a abertura dos tempos modernos e encontrou seu lema na frase emblemática de Descartes: cogito ergo sum. Sobre ela, legitimou-se o primado da ciência, sendo justificada pela alegação de que assim o humanismo se realizava.

Embora o primado do sujeito autocentrado ainda encontre um grande propugnador na figura contemporânea de Edmund Husserl (1859-1938), a partir das últimas décadas do século XIX, essa concepção passou a se identificar com o pensamento conservador; como tal, temeroso das inovações. Prova sumária do que dizemos: na década de 1970, entre nós, quando uma mente conservadora se manifestava contra as tendências mais recentes, sem, por isso, querer se mostrar partidária da ditadura sob que vivíamos, recorria à defesa do humanismo, que estaria sendo traído pelo que se chamava de “razão analítica”.

A partir do fim da 2ª Grande Guerra, o mal-estar criado por tal tradicionalismo favoreceu a rápida propagação da linha contrária. Enfrentando o realce do cogito, levantava-se o primado da linguagem. Por economia de tempo, limito-me a chamar a atenção para um enunciado de Michel Foucault: “O ser da linguagem não aparece por si mesmo senão que no desaparecimento do sujeito”. A frase se encontra em um ensaio publicado em 1966, intitulado “La Pensée de dehors”, em que o “de fora” acentuava o que se dava e cumpria fora da interioridade do sujeito.

Ora, assim como a primazia do cogito servia de respaldo para um pensamento conservador, o primado da linguagem era o lema de um pensamento que se queria transformador. Por isso, deve-se associar à concepção do “pensamento de fora” aquele que, no mundo anglo-saxão, se tornou conhecido como o linguistic turn, difundido a partir do Metahistory (1973), de Hayden White. Embora as duas concepções fossem radicalemnte distintas, ambas foram fortalecidas pela propagação da hermenêutica de fundo heideggeriano, que, formulada desde 1927, se expandiu pelo Ocidente, sobretudo depois do fim da Grande Guerra.

É verdade que, desde as últimas décadas do século XX, passou a ser cada vez mais compreendido que a pretensão transformadora que se fundava no primado da linguagem era contraditada por sua neutralização do sujeito, entendido como mero mensageiro de projetos e propostas determinados pelas estruturas sociais. Por isso o chamado desconstrucionismo, que englobava tanto os seguidores de Heidegger, como os então chamados pós-estruturalistas, passou a se desgastar, precisamente no ambiente em que mais havia prosperado: o das grandes universidades norte-americanas.

Na impossibilidade de acompanhar as mudanças então introduzidas, apenas aludamos muito brevemente ao modo como nos situamos. Não se trata, penso eu, de retornar ao velho cogito cartesiano, mas de reelaborá-lo de fio a pavio. Como assim? Desde logo, pela afirmação de que o ato de cogitar não se confunde com a fundação de um pensamento. E essa fundação, enquanto individual, muito menos é bastante para adquirir a força de expansão de um sistema irradiante, como foram os baseados nos princípios do sujeito autocentrado e da linguagem.

Uma imagem nos ajuda a transmitir mais rapidamente o que pretendemos dizer. A formulação de um pensamento enquanto individual constitui um sistema que pode conter uma enorme força interna de explicação. Mas, enquanto permaneça individual, essa força não é bastante para abalar um modo de pensar estabelecido. Enquanto permaneça individual, um pensamento, ainda que poderoso, é comparável a uma chispa que, ao disparar, atingisse um solo úmido ou encharcado. A chispa precisará encontrar um chão coberto de folhas secas que, alcançado, provoque uma explosão transformadora. Isso equivale a dizer o cogito tornou-se a explosão de que derivaram os tempos modernos menos pela força que o sistema cartesiano por si mesmo lhe concedia, senão porque encontrava um chão propício, não mais encharcado pela umidade teológica que até então o impedira. Do mesmo modo, podemos dizer a ele viria a se contrapor a afirmação da linguagem porque o sujeito do paradigma contrário era considerado como uno e integral. E porque o sujeito era considerado uno, tornava-se fácil identificá-lo com a ideia de Ser e contrapor esta ideia de Ser à ideia de existência (Dasein). É precisamente isso que fará Heidegger em sua obra de 1927, Ser e tempo, que, extremamente influente no pós 2ª Grande Guerra, servirá de respaldo a formulações como a lembrada há pouco de Foucault.

A proposta com que iniciaria a contraposição aos paradigmas antagônicos consiste em afirmar que a base do pensamento humano é um sujeito não uno, mas, ao contrário, internamente divergente, contraditório, fraturado, não no sentido negativo do termo, mas no positivo de internamente dissonante e desarmônico. A desarmonia do sujeito humano se manifesta pela discordância que se manifesta, em uma mesma faixa temporal, em suas atuações nas frentes ética, familiar, professional, política, estética, religiosa, etc.

Como não haveria tempo para explicar o que apenas levemente exponho, pergunto-me por fim: que condições de propagar-se tem a chispa do sujeito internamente desarmônico? A resposta simples seria: à medida que formulada aqui, em um país ainda intelectualmente colonizado, sua possibilidade de propagação é nenhuma. Ou, noutra formulação: pensar que mais do que uns poucos poderiam levá-la a sério seria mais utópico que o projeto que agora se comemora. Por que assim senão em virtude de que nosso próprio chão é encharcado, incapaz de expandir as pequenas chispas que o atinjam. Por que encharcado? Porque para nossas elites políticas a única coisa que parece interessar ao desenvolvimento do país são as condições tecno-econômicas. Em troca, o que aqui expomos seria por elas considerado um tema de “cultura”, termo que, para nossas elites políticas, é apropriado para algo insignificante como os discursos de batizado, de formatura ou de casamento. Prova rápida do que se afirma: enquanto, segundo os economistas, estamos hoje entre as grandes economias do mundo, nosso sistema escolar, aí incluindo a universidade, se degrada de modo assustador.

Por fim, pensando em termos do que, nos primeiros anos da década de 1960, preocupava Paulo Freire: enquanto para ele o combate contra o analfabetismo dominante no país merecia o sacrifício da prisão, do exílio, do ostracismo, hoje o problema assume outro ângulo: talvez nenhum sacrifício seja agora suficiente para ir de encontro à nova face do país. Que nova face? A de um lugar em que à diminuição do analfabetismo corresponde o aumento de algo de que é pouco polido falar-se: o aumento dos analfabetos alfabetizados. Para esses, nada mais importa senão o preço do dólar, a balança de pagamentos, o aumento das exportações, a valorização das ações na bolsa. Daí, por exemplo, o descaso com que tem sido tratada a questão da população indígena dos Guarani-Kaiowá, expulsa das terras em que ela, há séculos, tinha seu modo de vida estabelecido, por força do agrobusiness mato-grossenses ou a expropriação das terras ribeirinhas de outra população indígena, para que aí se instale uma hidroelétrica. Deste modo, como disse em entrevista recente o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, o Brasil tem perdido a oportunidade de mostrar ao mundo outro modo de lidar com a diversidade dos povos e suas culturas, de não confundir progresso com a destruição de povos não poderosos.

Em suma, para o que foi aqui dito não seja absolutamente inútil, gostaria de solicitar às autoridades presentes que, na medida de suas forças, alertem aos que nos dirigem que a miséria de nosso sistema educacional terminará por tornar ilusório o crescimento apenas tecno-econômico que tanto os preocupa. Mas essa solicitação não continua a manter a utopia com que me referi ao projeto que Paulo dirigira?

sábado, 24 de novembro de 2012

Friagem

quando eu voltar
do terremoto quero
que meu queixo trema
de frio no teu colo

enquanto isso
Penélope

não canse a ansiedade
e a pressa
do balanço de tuas pernas
cruzadas sob as cadeiras

(Luiz Coelho)

Pilulinha 24


Em Agulhas Descartáveis, livro de Luiz Coelho, editado pela Oito e meio, encontram-se algumas boas soluções para a formulação do poético, outras nem tanto.  Parece-me, ao contrário do que o prefácio diz, um livro irregular e de certa forma imaturo; o que não significa dizer que seja um livro ruim.

A poesia contemporânea parece ter pressa, os poetas querem se ver logo publicados, com ironia, poder-se-ia dizer que se acham todos um Rimbaud; mesmo antes de afiarem a faca da linguagem, tornarem-na plena, preferem as aspas das tesoura que revelam não a lâmina afiada da lâmina cabralina, mas a possibilidade de mascar. Ou mesmo, antes de alucinarem  a linguagem nas experiências das poéticas alheias, preferem a alucinação mais fácil do verso forçado,  porque ligada diretamente à vida – se posso repetir a ironia – acham-se todos um Whitman. Não sei se seria o caso de guardarem sua produção, de fazerem cortes, de evitarem algumas facilidades como a que o poeta comete no verso “por espremidas, meio que mal exprimidas” . Lembro-me  ao ler os versos acima de comentário feito por – se não me engano – Mário de Andrade, quando saúda o aparecimento de Vinícius de Moraes, poeta novo – que publica pela primeira vez perto dos dezoito anos – e critica o verso francamente ruim do “que passa e fica, que pacifica”.

Embora seja feita essa ressalva, há poemas de força marcante, como a série de hai-kais e friagem. Este poema é, a meu ver, uma das sínteses mais curiosa e bela do que a literatura de viagem vem produzindo ao longo de toda a tradição poética ocidental – sem que queira abarcar a completude do mundo, como intentaram diversos poetas. A síntese buscada confronta os grandes esquemas interpretativos do mundo e delineia um gostosíssimo tom menor nesta viagem à intimidade sugerida.

Friagem possui dois quartetos que são ligados por um elemento de passagem representado por um dístico, revelador – na linguagem – dos sentidos que transformam a narratividade numa intimidade lírica. O comentário extrapola a grandiosidade do épico com que se inicia o poema na narratividade anunciada do  “quando eu voltar” e ao usar habilmente a cena contígua “enquanto isso” de sabor rotineiro anuncia um vocativo,  Penélope, que transtornará a receptividade insinuado do narrativo mergulhando o poema nas forças da lírica, indicada pela presença de um imperativo que joga a cena poética no só no tecido lírico mas na intimidade que volta anuncia.

Quando a poesia atinge um grau de expressividade tão elevada, deveria o poeta ater-se a ela e com ela descobrir os caminhos que sua construção exige e de que a poesia de nossa época anda carecendo.

(Oswaldo Martins)






terça-feira, 20 de novembro de 2012

poema galhofeiro 2

poema galhofeiro 2*

estava o ladyslaw a dançar com uma mulata muito bem jeitosa
dançavam um tango
eram pernas pra cima pernas pra baixo pernas e coxas entrelaçadas
quadris retorcidos e dobrados
beijos que não foram dados
bofetadas fingidas

no aconchego do bolero
o ladyslaw arriscou
quero tanto conhecer a Bahia
eu também
então você não é baiana?
não
não vá me dizer que você é portuguesa
com esse seu sotaque...
sou do sul
os portugueses que andaram lá por cima
também andaram pelo sul.


elesbão
17/11/12


Poema galhofeiro

poema galhofeiro


o ladyslaw não era um príncipe
mas era tão bem apanhado como se fosse

o ladyslaw não era um príncipe
mas era tão refinado como se fosse

sabia fazer a corte às damas do clube que frequentava
e eram poucas as que não se deixavam levar pela sua lábia

mas o ladyslaw tinha uma irmã
tão bela e tão refinada quanto ele

não tinha a mesma sorte do irmão
por ter um dente cariado de que não cuidava
(tinha medo do alicate do dentista)
cheirava mal

a irmã do ladyslaw tinha uma inveja desnecessária dele
bastava ir ao dentista
mas entre ir ao dentista e aporrinhar o irmão
a irmã do ladyslaw preferia aborrecer o  ladyslaw

ciente de que ladyslaw não queria que ela o acompanhasse
(e com razão)
a irmã lhe perguntava: quando há baile?

não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe!

elesbão
17/11/12

A poesia de Dora Ribeiro


A poética de Dora é uma poética que se destaca no atual panorama da poesia brasileira. Tem a contenção de um João Cabral, sem que com ele divida as preocupações do fazer poético, isto é, embora seja fronteiriça ao grande poeta, sua poesia adquire voz própria desde muito cedo.  A contenção se alia a certa voltagem de emoções que transbordam e voltam à contenção e criam um estilo paradoxal em que o íntimo transborda para ser aplainado pelo pensamento que se desliga do íntimo e atinge o universal. Por isso sua poesia diz tanto, permite ao leitor vislumbrar as raízes de onde partem, mas ao mesmo tempo desligam o leitor destas raízes, fazendo com que ele, leitor, se abra para o pensamento em espiral – uma espiral contida – um labirinto que é e não é ao mesmo tempo o labirinto de Creta – e ali encontre apenas o encontrável da poesia – ou seja – ela mesma.

A poesia de Dora é um pouco o sonho de ser da poesia. Uma poesia que dá a ver o mundo como poesia e, intransigente com esse mundo, constrói artefatos que são a razão mesma da vida transgredida até a poesia. Nela se acha o leitor e é colhido pelo que há de mais importante no fazer-se potência deste paradoxo que puxa de uma ponta a outra os entraves que a vida e a poesia nos propõem. Certa feita Luiz Costa Lima sobre a poesia de Dora a define como uma poesia para o pensamento.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


O escritor Luiz Costa Lima lança seu primeiro livro de Ficção: Me Chamo Lully – Uma curiosa autobiografia de uma cachorrinha

Lançamento na Livraria Argumento, no Leblon, no dia 5 de dezembro, às 19h

Ilustrações de João Paulo Andrade


Bruno Negri, pseudônimo do escritor Luiz Costa Lima, lança no dia 5 de dezembro, a partir das 19h, na Livraria Argumento, no Leblon, o livro Me Chamo Lully, pela editora Bookmakers. O livro é uma divertida autobiografia de uma cadelinha shitzu, que une a narrativa, ao mesmo tempo fluida e pensante de Luiz Costa Lima, às belas ilustrações do artista João Paulo Andrade.

O resultado é uma obra surpreendente, que narra várias aventuras da cachorrinha, desde sua chegada à casa da família que se tornará sua, passando por suas desventuras amorosas, um rápido sequestro, seu espanto com a gravidez e a alegria de se descobrir cercada por filhotes. Longe de ser apenas mais um “livro bonitinho com uma história de cães", este livro traz uma visão bem-humorada dos humanos e de seus hábitos por meio do constante estranhamento de Lully com as diferenças entre seu "auês", linguagem que uma engenhoca ficcional traduz para a tela do computador, e a linguagem dos humanos.

O autor e a editora convidam todas as pessoas e também seus cães para participarem do lançamento do livro. A própria Lully estará presente “autografando” e participando do coquetel para caninos e não-caninos.

Luiz Costa Lima é um dos maiores críticos literários do país. Possui uma vasta produção acadêmica, com traduções para o inglês e o alemão, bem como quase cinco décadas dedicadas ao magistério, dentro e fora do Brasil. É autor de mais de 20 títulos. Me Chamo Lully é seu primeiro texto de ficção.




O Livro

Este é o começo da surpreendente autobiografia de uma cadelinha shitzu, chamada Me Chamo Lully. Nela, Lully conta como chegou à casa em que se encontra, seu amor desesperado por um cão que a despreza, o sequestro que sofre em Búzios, sua única gravidez de vários filhotes, de que apenas um ficou com ela para ser seu companheiro. Mas, sobretudo, Lully conta sem malícia, mas também sem falsos angelismos, como percebe os humanos que convivem com ela. Na verdade, e talvez seja isso que mais importa no livro que está sendo lançado, trata-se da visão de uma família humana, de tamanho e hábitos medianos, semelhante em seus humores a tantas outras, pelos olhos de uma cadelinha shitzu.  Imersos neste universo canino, é na distância entre a percepção de Lully e a visão dos humanos que o livro cria um espaço ficcional ao mesmo tempo mágico e reflexivo.



ME CHAMO LULLY

Autor: Bruno Negri
Editora: Bookmakers



 Serviço
Lançamento do livro Me Chamo Lully – Editora Bookmakers
Local: Livraria Argumento – Rua Dias Ferreira, 417 - Leblon, Rio de Janeiro
Tel: (21) 2239-5294
Data: 5 de dezembro de 2012
Horário: a partir das 19h