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sábado, 5 de maio de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A preta do acarajé


Dorival Caymmi

Dez horas da noite
Na rua deserta
A preta mercando
Parece um lamento
Ê o abará
Na sua gamela
Tem molho e cheiroso
Pimenta da costa
Tem acarajé
Ô acarajé é cor
Ô la lá io
Vem benzer
Tá quentinho

Todo mundo gosta de acarajé
O trabalho que dá pra fazer que é
Todo mundo gosta de acarajé
Todo mundo gosta de abará
Ninguém quer saber o trabalho que dá
Todo mundo gosta de acarajé
O trabalho que dá pra fazer que é
Todo mundo gosta de acarajé
Todo mundo gosta de abará
Ninguém quer saber o trabalho que dá
Todo mundo gosta de abará
Todo mundo gosta de acarajé

Dez horas da noite
Na rua deserta
Quanto mais distante
Mais triste o lamento
Ê o abará


sábado, 26 de novembro de 2011

A respeito dos zum-zuns


Cantiga de longe, de Edu Lobo, lançado no ano de 1970, traz uma composição composta por seu pai, Fernando Lobo, e Paulo Soledade. Zum Zum, feita a partir do acidente com o avião da Panair, um constellation. Embora composta para homenagear o amigo, comandante da avião Constellation, da Panair, a música ganhou ares carnavalescos em 1951, quando Dalva de Oliveira a gravou.

A gravação de Edu Lobo é feita, nos EUA, com vinte anos de diferença, adquire um andamento mais lento, lamentoso. Há nesta gravação duas leituras possíveis, a de que Edu Lobo tenha reinterpretado o andamento original da música, o que teria um valor memorialístico bem específico de recuperar a origem da composição, o que certamente é importante. Entretanto há outra possibilidade, que creio ser mais importante, pois, além de englobar a perspectiva anterior, cria uma possibilidade de leitura de sua época, em que a tortura, o exílio e a prisão se tronaram ações constantes e causa de depressão social, com a qual convivemos até hoje, pelos estragos que os governos militares fizeram na educação pública, nas instituições democráticas e na participação popular.

Das diversas composições e interpretações que se fizeram e se tornaram, com justiça, uma espécie de hino, a partir do qual podíamos extravasar a frustação da participação social, prefiro este protesto silencioso e pungente.

(Oswaldo Martins)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quitandeiro - Monarco

Quitandeiro, leva cheiro e tomate
Pra casa do Chocolate que hoje vai ter macarrão
Prepara a barriga macacada
Que a boia tá enfezada e o pagode fica bom
Chega só 30 litros de uca
Para fechar a butuca
Desses negos beberrão

Chocolate, tu avisa a crioula
Que carregue na cebola e no queijo parmesão (BIS)

Mas não se esqueça
De avisar a nêga Estela
Que o pessoal da Portela
Vai cantar partido alto
Vai ter pagode até o dia amanhecer
E os versos de improviso
Serão em homenagem à você

Quitandeiro, leva cheiro e tomate
Pra casa do Chocolate que hoje vai ter macarrão
Prepara a barriga macacada
Que a boia tá enfezada e o pagode fica bom
Chega só 30 litros de uca
Para fechar a butuca
Desses negos beberrão
Chocolate, tu avisa a crioula
Que carregue na cebola e no queijo parmesão

(Monarco)

Monarco - O quitandeiro

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dr. Orlando

Mudou uma turquinha nova
Lá pros lados da estação
Eu fui na loja da turca
Comprar panos de algodão

Ai ai ai ai

Eu fui na loja da turca
Comprar pano de algodão
Olhei na cara da turca
Esqueci da obrigação

Ai ai ai ai

Filha do Dr. Orlando
Chegou na porta e falou
Quem matar essa turquinha
Um conto de réis eu dou

Ai ai ai ai

Filha do Dr. Augusto
Chegou na porta e falava
Que matar essa turquinha
Muitos olhos sossegava

Ai ai ai ai

( Recolhido por Oneyda Alvarenga)
O texto acima é a letra de uma moda, ou modinha (gênero musical praticado no sudeste Rio, Minas Gerais e São Paulo). Foi recolhida por Oneyda Alvarengae gravada por Renato Teixeira, para a belíssima produção de Marcos Pereira, trabalho único de documentação das raízes da música brasileira. A letra acima demonstra a especial economia com que o poeta popular trabalhava, insinuando mais do que dizendo, como a poesia deveria ser. Compositor renomado brasileiro que disso sabia e praticava em suas composições foi Dorival Caymmi. Resolver os versos em poucas linhas, com o pouco dito que diz muito é arte para poucos.
(oswaldo martins)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Siri rercheado e o cacete

A música de João Bosco e Aldir Blanc, que o Ronald lembrou lá das distâncias onde anda

Sai com a patroa pra pescar
No canal da barra uns siris pra rechear
Siri como ela encheu de me avisar
Era o prato predileto do meu compadre anescar
Levei arrastão e três puçás
Um de cabo outros dois de jogar
De isca um sebo da véspera, e pra completar cachaça iemanjá
Birita que dá garantia de ter maré cheia
Choveu siri do patola, manteiga, azulão, um camaleão,
No tapa a minha patroa espantou três sereias.
Na volta ônibus cheio o balde derramou
Em pleno coletivo um gato se encrespo,
O velho trocador até gritou: - não bebo mais!
Siri passando em roleta, mesmo pra mim é demais!
De medo o motorista perdeu a direção
Fez um golpe de vista, raspou num caminhão
Pegou um pipoqueiro, um padre, entrou num butiquim
O português da gerência, quase voltou pra almerim...
Quiseram autuar nossos siris
Mas minha patroa subornou a guarnição
Então os cana-dura mais gentis
Levaram a gente e os siris pra casa na abolição
Depois do "te logo", "um abração"
Fui botar os siris pra ferver
Dentro da lata de banha
Era um tal de chiar, pagava pra ver
Tranqüilo o compadre anescar colocando o azeite
Foi um trabalho de cão, mas valeu o suor
Croquete, bobó, panqueca, siri recheado, fritada e o cacete.
O anescar chegou com uma de alambique
Me perguntou se eu era mendonça ou dinamite
Abri uma lourinha, trouxe um prato de croquete
O anescar mordeu um, feito que come gilete
Baixou minha patroa: anesca, que qui há?
O anescar gemeu
¾ dieta de lascar
O médico mandou que eu coma tudo que pintar
Até cerveja e cachaça
Menos os frutos do mar.