segunda-feira, 21 de setembro de 2026

o cadáver insepulto

suposta madrugada sem lustre

o gato ante o fenômeno livre

tem olhos postos no balaústre

ele o gato escuso de um alpivre

 

a imagem dúbia sobre tal crivo

a estática aldeia a um grito

do homem a fatídica mira

tocata sob o tanger da lira

 

o alpivre – agora gato torto

brilha – antes o que fora e seca

a pata inerte a folha cresta

 

mimetismo cru sem as arestas

nem ataúde-nós, a nua charneca,

onde antígone sepultou o morto