terça-feira, 24 de abril de 2012


Urubu

I
um bicho
avançado na corda
come o necessário íntimo
o bicho
se encosta ao acessório
suspenso eu
um bicho
assumo o risco
de ver o arrepio-
bicho
que nenhuma perna
enganada vai dizer
cínico
o gelado do ritmo
de bicho

II
avançado na corda
atento ao frio feito
um bicho
que escorrega feito
um verme
rói a parede ciã
da carne virada
da fruta intestina
e rói mais
e rói
e larga os ossos
os cabelos
o peso do morto
não menos e não
menos bicho
torna ao fio de corda
farto sem precisar
medir o equilíbrio

III
eu
não mais
me sei sequer
um bicho
me sei talvez
o bicho
que na corda
é hábil e leve
pássaro rapace
bicho quê
ave na ventania
não carece de ninho

Um comentário:

  1. Do urubu malandro ao demalandro que é mais do urubu. Belo poema!

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