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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

pedra da georgia


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O nariz não cheirou as plantas dos hippies da Califórnia. Buscava outras coisas naquela cidade. Possuía um pequeno galpão no qual a maresia cedia lugar ao cheiro psicodélico das imagens abandonadas. Enxergava seu dedão que se deixara ficar em Nova Iorque, as pernas oblíquas à procura de um corpo ou de um significado oculto nas ruas dos subúrbios do Rio de Janeiro. Os cheiros tinham às vezes o das sarjetas, às vezes o do chumbo ou dos corpos destroçados no Vietnã. Ainda estaria por plantar um de seus dedos queimados pelo cheiro de Hiroshima e Nagasaki. O que mais o impressionara fora então aquele que não se explicava quando os navios fundeados na baía forçaram primeiro a deposição dos presidentes eleitos da AL, e dos corpos que se debatiam no fundo do mar, amarrados por pedras, atirados fora como se cães macilentos e doentes como a baleia.

sábado, 1 de dezembro de 2018

unha 1


Quando o dedão do pé nasceu, ficou plantado no meio da sala. Talvez esperasse o resto do corpo vir aos pedaços. Por pouco ficaria assombrando a memória de sua mãe, se ele não desse alguma serventia ao que ainda lhe restava de vida. A unha encravada, o aspecto tenebroso daquele menos que pé constituíram, meio que oracularmente, os percalços de sua vida. Depois que o corpo veio se juntar ao dedo, JM passaria a vida inteira a buscar com a obstinação dos atormentados um meio para fazer com que seu dedo, dedão, se materializasse em todo seu esplendor, por isso o disseminou com o disfarce de outras partes do corpo nos suportes que viria a utilizar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Benin


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Os olhos de JM estavam imersos na máscara dos reis do Benin. Eram apenas os olhos, o resto do corpo viajava nas caravelas portuguesas. Quando os olhos não viam Benin, plantavam nas sementes, que ele espalharia/espelharia, uma imagem de pavor e resistência. Os olhos de um negro retinto retingiria o rio niger de vermelhos rudes e tons de verdes esquecidos; por mais estranhos que os olhos não se punham nas paisagens, o horror, o horror era cobrado por aqueles olhos de não estarem, desachegados aos chás, às cinco horas cujo extermínio soará como um machado cortando perpendicularmente as cabeças das rainhas de copas.