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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Umberto Saba

A Cabra

Falei com uma cabra.
Sozinha no prado, amarrada.
Saciada de erva, molhada
pela chuva, balava.

Aquele balido era fraterno
à minha dor. E eu respondi, primeiro
por graça, depois porque o sofrer é eterno,
tem uma voz não vária.
Esta voz senti
gemer naquela cabra solitária.

Numa cabra de perfil semita
senti que se queixavam outros males,
os da vida infinita.

La Capra

Ho parlato a una capra.
Era sola sul prato, era legata.
Sazia d"erba, bagnata
dalla pioggia, belava.

Quell"uguale belato era fraterno
al mio dolore. Ed io risposi, prima
per celia, poi perché il dolore è eterno.
ha una voce e non varia.
Questa voce sentiva
gemere in una capra solitaria.

In una capra dal viso semita
sentiva querelarsi ogni altro male,
ogni altra vita.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Guido Cavalcanti - Poesia Italiana


Per gli occhi fere um spirito sottile
Guido Cavalcanti

Per gli occhi fere un spirito sottile
Che fa in la mente spirito destare,
Dal qual si muove spirito d’amare,
Che’ogn’altro spiritello fa gentile.

Sentir non può di lui spirito vile,
Di contanta virtú spirito appare.
Questo é lo spiritel, che fa tremare
Lo spiritel che fa la donna umile.

E poi da questo spirito move
Um altro spirito soave,
Che segue um spiritello di mercede.

Lo quale spiritel spiriti piove,
Che di ciacuno spirit’ há la chiave,
Per forza d’uno spirito, Che ‘l vede.


Pelo olhar fere o espírito sutil
Augusto de Campos

Pelo olhar fere o espírito sutil
Que faz na mente o espírito acordar,
Do qual se move o espírito de amar
Que faz todo outro espírito servil.

Não o descobrirá espírito vil,
Tal é o dom deste espírito sem par,
Espírito que faz tremer o ar
Do espírito que faz dama gentil.

E deste mesmo espírito se move
Um outro doce espírito suave,
Que um espírito segue de mercê.

O qual espírito espíritos chove
E dos espíritos conhece a chave,
Por força de um espírito, que vê.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Giuseppe Ungaretti poesia italiana


ETERNO

Entre uma flor colhida e outra ofertada
o inexprimível nada


ETERNO

Tra un fiore colto e l'altro donato
l'inesprimibile nulla

(Ungaretti)

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Pasolini

Aos escritores contemporâneos

Vejo: vocês existem, continuamos sendo amigos,
felizes de nos vermos e cumprimentarmos em algum café,
nas casas das irônicas senhoras romanas...
Mas nossos cumprimentos, os sorrisos, as paixões comuns
são atos de uma terra de ninguém: uma... waste lande,
para vocês: para mim, uma margem entre uma história e outra.
Já não podemos realmente estar de acordo: estremeço,
mas é em nós que o mundo é inimigo do mundo.

(trad. Maurício santana Dias)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Guido Oldani

La lavatrice

la centrifuga gira come un mondo
e i suoi abitanti sono gli indumenti
riposti dalla coppia dei congiunti.
si avvinghiano bagnati in un groviglio
i rispettivi panni in capriola,
sono rimasti questi i soli amanti,
quegli altri se si afferrano è alla gola.


(da La betoniera, LietoColle 2005)

sábado, 20 de junho de 2015

Poesia italiana

Il Compito 

Do livro La vita felice, 200


Bevo nell’osso della sedia senza tavolo

una tisana perfetta.

Tra poco anche questa sedia

verrà battuta.

Forse bisognava restare così

senza avere più nulla su cui poggiare i gomiti

per reimparare una postura


Ho sempre avuto paura di uno strappo.

Mi trovo a meno di trent’anni

due figli e un matrimonio rotto.

Ed è la quarta casa che cambio in quattro anni.


Ma è silenzioso tenere tutti i pezzi in un intero.

Non emettere dolore.


Piove.


Senza più un suono su cui poggiare

una parola.

(Tiziana Cera Rosco)



A Tarefa


Bebo no osso da cadeira sem mesa
uma infusão perfeita.
Daqui há pouco até esta cadeira
será derrotada.
Talvez seja preciso estar assim
sem lugar  algum para apoiar os cotovelos
para reaprender uma postura

Sempre tive medo de uma distensão.
Me vejo com menos de trinta
dois filhos e um casamento quebrado.
É a quarta casa que habito em quatro anos.

Mas é silencioso manter todos os pedaços num inteiro.
Não emitir a dor.

Chove.

Sem mais som sobre o qual apoiar
um palavra.

(Tradução Francesca Cricelli) 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Poema do dia

IN HOC SIGNO...

A Roma un'agenzia di pompe funebri
si chiama L'AVENIRE. E poi si dice
che l'umor nero è morto con Jena Paul,
Gionata Swift e Achille Campanile.

(Eugenio Montale)

IN HOC SIGNO.

Em Roma há uma casa funerária
que se chama o futuro. E ainda se diz
que o humor negro morreu com Jean Paul,
Jonathan Swift e Achille Campanile.

(Trad. Geraldo Holanda Cavalcanti)