Oswaldo Martins. Poeta e professor de literatura. Autor dos livros desestudos, minimalhas do alheio, lucidez do oco, cosmologia do impreciso, língua nua com Elvira Vigna, lapa, manto, paixão e Antiodes, com Alexandre Faria. Editor da TextoTerritório
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
descante
a cor da unha
o balanço-sola
a liturgia dos pés
caem vagares sob a cidade
as pessoas os cães os cavalos
passam há cigarras ainda
e o estupor civilizado
no chão o outro do eu
cavo ao fecharem-se olhos
ultimo o silêncio
as sintaxes secam
a despedida-quando
o cicio do age-fim
resta no nada
(oswaldo martins)
terça-feira, 12 de outubro de 2021
dobra
para dora ribeiro
quid o agora
resto e uns espaços
a desocupar
um guarda-chuva
leixado na poça
do mar levado
desmnemósine
para elesbão ribeiro
moûsa e silencia pois
no após resta pouco
uma poeira lambendo
da brisa o sino
vazio
entre o nada e o aquém
(oswaldo martins)
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
vida do bebê
in memorian
chá de bico
usos de senhoras
veste preto
calcinha vermelha
camisolão e pudor
lençol furado
domingo, 15 de agosto de 2021
Borges
domingo, 11 de julho de 2021
perjúrio
botas truncam troncos retorcido
exercício de aforas padiola-rés
aos réis da malcozida república
tocam a subir a ignota terra torta
à sombra dos heróis contestados
pelos que de vaza-barris fixam
o lobrigar nas casas e em preces
chilreiam sandálias-pássaras aves
do exílio que cantam no lombo
da soldadesca de olhos na atonia
em batalha de cujo cuspe-krupp
a esmo o ermo da crença fere
o corpo a ordenar-lhes avancem
os canhões mesmo que abertos
no flor-estrondar ao revés do tiro
(oswaldo martins)
quarta-feira, 30 de junho de 2021
segunda-feira, 21 de junho de 2021
domingo, 20 de junho de 2021
os soldados catam despojos
havia um corpo na terra
morta a cabeça degola
em sânie e escara
o espólio
do proscrito
os restos
de terra e corpo
devolvem à ferida aberta
à cova
do futuro
(oswaldo martins)
