para elesbão ribeiro
moûsa e silencia pois
no após resta pouco
uma poeira lambendo
da brisa o sino
vazio
entre o nada e o aquém
(oswaldo martins)
Oswaldo Martins. Poeta e professor de literatura. Autor dos livros desestudos, minimalhas do alheio, lucidez do oco, cosmologia do impreciso, língua nua com Elvira Vigna, lapa, manto, paixão e Antiodes, com Alexandre Faria. Editor da TextoTerritório
para elesbão ribeiro
moûsa e silencia pois
no após resta pouco
uma poeira lambendo
da brisa o sino
vazio
entre o nada e o aquém
(oswaldo martins)
in memorian
chá de bico
usos de senhoras
veste preto
calcinha vermelha
camisolão e pudor
lençol furado
botas truncam troncos retorcido
exercício de aforas padiola-rés
aos réis da malcozida república
tocam a subir a ignota terra torta
à sombra dos heróis contestados
pelos que de vaza-barris fixam
o lobrigar nas casas e em preces
chilreiam sandálias-pássaras aves
do exílio que cantam no lombo
da soldadesca de olhos na atonia
em batalha de cujo cuspe-krupp
a esmo o ermo da crença fere
o corpo a ordenar-lhes avancem
os canhões mesmo que abertos
no flor-estrondar ao revés do tiro
(oswaldo martins)
havia um corpo na terra
morta a cabeça degola
em sânie e escara
o espólio
do proscrito
os restos
de terra e corpo
devolvem à ferida aberta
à cova
do futuro
(oswaldo martins)
Si una
guitarra triste me dijera
Que no
quiere morir entristecida,
Me
pondría a rezar sobre su herida
Con
tal de recobrar su primavera.
Si un
trovador me pidiera
Un
poquito de luz para su vida,
Toda
la selva en fuego convertida
Para
su corazón yo le ofreciera.
Mas,
de poco valió la proclamada
Pujanza
de mi anhelo, si callada
La
muerte te llevó, daniel reguera.
Pasa
tu zamba por la noche oscura,
Y el
eco de tu voz en la llanura
Sigue
buscando luz y primavera.
(mar
del plata, febrero de 1965)
sob a terra arrastam-se as sandálias
a disforme procissão a bandeira ergue
com paus e pedras ao comando-águia
do beatinho avançam os sacerdotes
da caatinga – todos cavam ladainhas
nas trincheiras canções de véspera
ecoam sob o chap chap absconso
com que anunciam loas ao bom-jesus
arrepanham as calças a cabeça-peso
desvaria atulhada do sono da pedra
sob o setentrião o assalto toma-os
oriente- se, rapaz junto às armas
para sempre imagens da nulidade
ante o arrastar-se que desvela a estes
e àqueles a pungente dança-dança
do coreógrafo neste baião de 2
por dançar
(oswaldo martins)