terça-feira, 12 de outubro de 2021

desmnemósine

para elesbão ribeiro

 

moûsa e silencia pois

no após resta pouco

 

uma poeira lambendo

da brisa o sino

 

vazio

entre o nada e o aquém

 

(oswaldo martins)

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

vida do bebê

in memorian

 

chá de bico

usos de senhoras

veste preto

calcinha vermelha

camisolão e pudor

lençol furado 

domingo, 15 de agosto de 2021

Borges


Doze vezes ver ante pé e mão de felino o caos de 
Histórias narradas em decúbito abissal
Enquanto espelhos e templos são finitos.
A prata domina uma laguna de luar
Pelo centro do leito de Ródano sem delta
O quintal do antigo mundo novo regurgita 

Cláudio Correia Leitão 

domingo, 11 de julho de 2021

perjúrio

 

botas truncam troncos retorcido

exercício de aforas padiola-rés

aos réis da malcozida república

 

tocam a subir a ignota terra torta

à sombra dos heróis contestados

pelos que de vaza-barris fixam

 

o lobrigar nas casas e em preces

chilreiam sandálias-pássaras aves

do exílio que cantam no lombo

 

da soldadesca de olhos na atonia

em batalha de cujo cuspe-krupp

a esmo o ermo da crença fere

 

o corpo a ordenar-lhes avancem

os canhões mesmo que abertos

no flor-estrondar ao revés do tiro

 

(oswaldo martins)

domingo, 20 de junho de 2021

os soldados catam despojos

havia um corpo na terra

morta a cabeça degola

em sânie e escara

o espólio

do proscrito

 

os restos

de terra e corpo

devolvem à ferida aberta

à cova

do futuro

 

(oswaldo martins)

Soneto Para Reguera - Atahualpa Yupanqui

 

Si una guitarra triste me dijera

Que no quiere morir entristecida,

Me pondría a rezar sobre su herida

Con tal de recobrar su primavera.

 

Si un trovador me pidiera

Un poquito de luz para su vida,

Toda la selva en fuego convertida

Para su corazón yo le ofreciera.

 

Mas, de poco valió la proclamada

Pujanza de mi anhelo, si callada

La muerte te llevó, daniel reguera.

 

Pasa tu zamba por la noche oscura,

Y el eco de tu voz en la llanura

Sigue buscando luz y primavera.

 

(mar del plata, febrero de 1965)

Wilson Batista X Noela Rosa


 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

1º combate

 

sob a terra arrastam-se as sandálias

a disforme procissão a bandeira ergue

com paus e pedras ao comando-águia

do beatinho avançam os sacerdotes

 

da caatinga – todos cavam ladainhas

nas trincheiras canções de véspera

ecoam sob o chap chap absconso

com que anunciam loas ao bom-jesus

 

arrepanham as calças a cabeça-peso

desvaria atulhada do sono da pedra

sob o setentrião o assalto toma-os

oriente- se, rapaz junto às armas

 

para sempre imagens da nulidade

ante o arrastar-se que desvela a estes

e àqueles a pungente dança-dança

do coreógrafo neste baião de 2

 

por dançar

 

(oswaldo martins)