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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Ana Chiara

III

Beija-flor parado
Tremor de asas
Também viaja
Suga alegria
Por deslocamentos mínimos

(Ana Chiara - Poema da travessia)

segunda-feira, 22 de abril de 2019

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O Sutur de Cândido Rolim

Tempo

Esses senhores.
Ninguém os chama de filhos.
Nem de órfãos.

(Cândido Rolim)



As definições da poesia são várias, demandam uma série ininterrupta de percepções e inovações, que vão desde o corte rítmico ao corte visual em proveito do sentido – nem sempre tangível do poema. Em Sutur, o poeta Cândido Rolim apresenta, para além da acuidade com que enxerga a realidade, uma densidade cujo desdobramento se dá na forma com que trabalha seus poemas.
Se assíntota é linha que se aproxima indefinidamente de uma curva sem jamais cortá-la, a palavra do poeta retransfigura a definição e nos entrega, mais que um modo de operação de suas poesias, a definição que permite ao leitor buscar, nos cortes operados, um sentido oculto que se desvelará na percepção do leitor como construção das relações do espaço e do tempo. Senão veja-se:

Assíntota

linha que se
aproxima
indefinidamente de
uma curva sem
jamais
cortá-la

O isolamento dos verbos aproximar e cortar, entre o curvo e o reto, acerca-se e dá destaque ao modo de operação dos poemas do livro. Neste entre-lugar, o poema cria como que uma terceira possibilidade que não é nem o curvo nem o reto, nem mesmo o modo de operação do pôr o mundo a nu, mas o próprio do mundo repovoado. Essa técnica, no sentido mesmo de arte, possibilita que se desdobrem inúmeros modos de aproximação com o sentido e inaugure possibilidades inovadoras de participação e confecção das suturas expostas pelo poeta.
Veja se, por exemplo, este outro poema – sábado -, cuja ironia, cáustica, por sua mínima lírica, faz retroceder toda constatação da ação humana a uma “qualidade negativa” preenchida dos vazios em que a propulsão dos afetos não encontra respostas afetivas, como se o sujeito da ação afetiva se permitisse um não-lugar à satisfação dos desejos e o transmudasse em outro móbile que se conformasse, ao sabor dos ventos, ao que possa ser apreendido como objeto do desejo. Em outras palavras: o vazio a ser preenchido só se opera a partir da falta.

SÁBADO
Homens acariciam
carros
O modo de operação dos poemas vai se construindo aos poucos, complementando ao longo de todo o livro esse primário dizer que faz com que a poesia de Cândido Rolim se mostre necessária e pulsante frente a este mundo de construções falseadoras do real, por ele mundo se contentar com a repetição do mesmo. Se o mundo opera com o preenchimento dos vazios pela positividade dos sentidos, a falta desta positividade, em Rolim, pressupõe seu preenchimento a partir dos desdobramentos dos vazios em mais vazios; como os móbiles de Calder, a construção da poesia de Sutur se mostra na configuração do momento de leitura. O que, aliás, é mais do que necessário no panorama da literatura contemporânea.

Oswaldo Martins

terça-feira, 24 de maio de 2016

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Rogério Batalha

TextoTerritório lança obra de Rogério Batalha em três livros

Coleção traz textos inéditos, antologia e volume com o poema Cidade fundida

Aos olhos do poeta e letrista Rogério Batalha a cidade não é exatamente bipartida, ao contrário, morro e asfalto se fundem no trânsito diário da alegria e da labuta. Assim, o escritor não se deu às redundantes dicotomias do espaço urbano, mas leu o território que o cerca a partir da afirmação radical de um princípio de vida e prazer, sem deixar de lado a visão crítica. Essa é a tônica dos livros Inventário, Cidade fundida e Medida do sal, que a editora TextoTerritório reuniu no lançamento especial com o objetivo de ampliar a
circulação a obra de Batalha.

As capas são da Artista plástica Mozileide Nery, inspiradas em uma dedicatória de Arnaldo Antunes feita para Batalha. Para o lançamento, a TextoTerritório encomendou 50 caixas especiais, que foram pintadas pela artista. No lançamento, Mozileide Nery também fará uma exposição de suas monotipias sobre tecido.

Desde o primeiro livro publicado Batalha teve a qualidade de sua poesia reconhecida por nomes que são referência na cultura brasileira, no entanto seu trabalho continuou em relativo ostracismo. Waly Salomão escreveu a contracapa de seu primeiro livro, Malícia, já o segundo, Bazar barato, teve de contracapa assinado por Antonio Cicero, enquanto Melaço ganhou prefácio de Ricardo Oiticica. “As edições eram independentes, algumas com tiragem de apenas cem exemplares. Estou empolgado porque os livros praticamente não existiam mais. Eu transito num ambiente específico que é o subúrbio. Voltar a circular numa vitrine maior está me animando a escrever mais”, diz o autor que passou os últimos anos compondo mais que escrevendo livros.

Dentre as novas publicações, Inventário é uma antologia de poemas dos quatro livros já publicados Malícia, Bazar barato, Melaço e Anfíbio.

Cidade fundida dialoga com o mito da cidade partida. O impactante poema, que havia sido publicado apenas em um livro universitário, entre obras de ficção e não-ficção e fora de comércio, ganha corpo pleno, em um volume único.

Medida do sal reúne textos que são inéditos em livro, pois circularam apenas em CDs. A publicação traz 40 letras de Rogério Batalha musicadas por diversos parceiros que transitam pelo universo do samba, como Moacyr Luz, Roberta Nistra, Dú Basconça, Agenor de Oliveira, Paulinho Lêmos, Eliane Faria, Kinho e Rogério Lopes. 



SOBRE O AUTOR

Rogério Batalha é natural de Miguel Couto (Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense). Circulou por Madureira, Cascadura, Penha e outros territórios. Depois de editar de maneira independente seu primeiro livro, Malícia, em 1998, publicou ainda Bazar barato (1999), Melaço (2002), Anfíbio (Armazém Digital, 2005) e teve sua poesia incluída em uma coletânea organizada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Suas parcerias como letrista com Moacyr Luz, Rogério Lopes e Dú Basconça foram apresentadas no Encontro de Compositores promovido pelo Centro de Referência da Música Carioca. Com Roberta Nistra, da nova geração do samba da Lapa, escreveu sambas de temática afro-religiosa. Suas canções entraram para o repertório da cantora Lu Oliveira, que registrou “Passou, passou” (Moacyr Luz e Rogério Batalha) em seu primeiro CD, produzido por Zé Renato (Boca Livre); e de Manu Santos, que gravou em seu disco de estreia “Domingo é dia” (Moacyr Luz e Rogério Batalha).



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Promoção de Natal