Oswaldo Martins. Poeta e professor de literatura. Autor dos livros desestudos, minimalhas do alheio, lucidez do oco, cosmologia do impreciso, língua nua com Elvira Vigna, lapa, manto, paixão e Antiodes, com Alexandre Faria. Editor da TextoTerritório
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domingo, 20 de junho de 2021
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Ana Chiara
III
Beija-flor parado
Tremor de asas
Também viaja
Suga alegria
Por deslocamentos mínimos
(Ana Chiara - Poema da travessia)
Beija-flor parado
Tremor de asas
Também viaja
Suga alegria
Por deslocamentos mínimos
(Ana Chiara - Poema da travessia)
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
O Sutur de Cândido Rolim
Tempo
Esses senhores.
Ninguém os chama de filhos.
Nem de órfãos.
(Cândido Rolim)
Esses senhores.
Ninguém os chama de filhos.
Nem de órfãos.
(Cândido Rolim)
As definições da poesia
são várias, demandam uma série ininterrupta de percepções e inovações, que vão
desde o corte rítmico ao corte visual em proveito do sentido – nem sempre
tangível do poema. Em Sutur, o poeta Cândido Rolim apresenta, para além da
acuidade com que enxerga a realidade, uma densidade cujo desdobramento se dá na
forma com que trabalha seus poemas.
Se assíntota é linha que se aproxima indefinidamente de uma curva sem jamais cortá-la, a palavra do
poeta retransfigura a definição e nos entrega, mais que um modo de operação de
suas poesias, a definição que permite ao leitor buscar, nos cortes operados, um
sentido oculto que se desvelará na percepção do leitor como construção das
relações do espaço e do tempo. Senão veja-se:
Assíntota
linha que se
aproxima
indefinidamente de
uma curva sem
jamais
cortá-la
O isolamento dos verbos
aproximar e cortar, entre o curvo e o reto, acerca-se e dá destaque ao modo de
operação dos poemas do livro. Neste entre-lugar, o poema cria como que uma
terceira possibilidade que não é nem o curvo nem o reto, nem mesmo o modo de
operação do pôr o mundo a nu, mas o próprio do mundo repovoado. Essa técnica,
no sentido mesmo de arte, possibilita que se desdobrem inúmeros modos de
aproximação com o sentido e inaugure possibilidades inovadoras de participação
e confecção das suturas expostas pelo poeta.
Veja se, por exemplo,
este outro poema – sábado -, cuja ironia, cáustica, por sua mínima lírica, faz
retroceder toda constatação da ação humana a uma “qualidade negativa”
preenchida dos vazios em que a propulsão dos afetos não encontra respostas
afetivas, como se o sujeito da ação afetiva se permitisse um não-lugar à
satisfação dos desejos e o transmudasse em outro móbile que se conformasse, ao
sabor dos ventos, ao que possa ser apreendido como objeto do desejo. Em outras
palavras: o vazio a ser preenchido só se opera a partir da falta.
SÁBADO
Homens acariciam
carros
carros
O modo de operação dos
poemas vai se construindo aos poucos, complementando ao longo de todo o livro
esse primário dizer que faz com que a poesia de Cândido Rolim se mostre
necessária e pulsante frente a este mundo de construções falseadoras do real,
por ele mundo se contentar com a repetição do mesmo. Se o mundo opera com o
preenchimento dos vazios pela positividade dos sentidos, a falta desta
positividade, em Rolim, pressupõe seu preenchimento a partir dos desdobramentos
dos vazios em mais vazios; como os móbiles de Calder, a construção da poesia de
Sutur se mostra na configuração do momento de leitura. O que, aliás, é mais do
que necessário no panorama da literatura contemporânea.
Oswaldo Martins
terça-feira, 24 de maio de 2016
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Rogério Batalha
TextoTerritório lança obra de Rogério Batalha em três livros
Coleção traz textos inéditos,
antologia e volume com o poema Cidade
fundida
Aos olhos do poeta e letrista Rogério
Batalha a cidade não é exatamente bipartida, ao contrário, morro e asfalto se fundem
no trânsito diário da alegria e da labuta. Assim, o escritor não se deu às redundantes
dicotomias do espaço urbano, mas leu o território que o cerca a partir da
afirmação radical de um princípio de vida e prazer, sem deixar de lado a visão
crítica. Essa é a tônica dos livros Inventário, Cidade fundida e Medida do sal,
que a editora TextoTerritório reuniu no lançamento especial com o objetivo de
ampliar a
circulação a obra de Batalha.
As capas são da Artista plástica
Mozileide Nery, inspiradas em uma dedicatória de Arnaldo Antunes feita para
Batalha. Para o lançamento, a TextoTerritório encomendou 50 caixas especiais,
que foram pintadas pela artista. No lançamento, Mozileide Nery também fará uma
exposição de suas monotipias sobre tecido.
Desde o primeiro livro publicado
Batalha teve a qualidade de sua poesia reconhecida por nomes que são referência
na cultura brasileira, no entanto seu trabalho continuou em relativo
ostracismo. Waly Salomão escreveu a contracapa de seu primeiro livro, Malícia,
já o segundo, Bazar barato, teve de contracapa assinado por Antonio Cicero,
enquanto Melaço ganhou prefácio de Ricardo Oiticica. “As edições eram independentes,
algumas com tiragem de apenas cem exemplares. Estou empolgado porque os livros
praticamente não existiam mais. Eu transito num ambiente específico que é o
subúrbio. Voltar a circular numa vitrine maior está me animando a escrever
mais”, diz o autor que passou os últimos anos compondo mais que escrevendo
livros.
Dentre as novas publicações, Inventário é uma antologia de poemas
dos quatro livros já publicados Malícia,
Bazar barato, Melaço e Anfíbio.
Cidade fundida dialoga com o mito da cidade partida. O impactante
poema, que havia sido publicado apenas em um livro universitário, entre obras
de ficção e não-ficção e fora de comércio, ganha corpo pleno, em um volume
único.
Medida do sal reúne textos que são inéditos em livro, pois
circularam apenas em CDs. A publicação traz 40 letras de Rogério Batalha
musicadas por diversos parceiros que transitam pelo universo do samba, como
Moacyr Luz, Roberta Nistra, Dú Basconça, Agenor de Oliveira, Paulinho Lêmos,
Eliane Faria, Kinho e Rogério Lopes.
SOBRE O AUTOR
Rogério Batalha é natural de
Miguel Couto (Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense). Circulou por Madureira,
Cascadura, Penha e outros territórios. Depois de editar de maneira independente
seu primeiro livro, Malícia, em
1998, publicou ainda Bazar barato
(1999), Melaço (2002), Anfíbio (Armazém Digital, 2005) e teve
sua poesia incluída em uma coletânea organizada pela Universidade Federal Rural
do Rio de Janeiro (UFRRJ). Suas parcerias como letrista com Moacyr Luz, Rogério
Lopes e Dú Basconça foram apresentadas no Encontro de Compositores promovido
pelo Centro de Referência da Música Carioca. Com Roberta Nistra, da nova
geração do samba da Lapa, escreveu sambas de temática afro-religiosa. Suas canções
entraram para o repertório da cantora Lu Oliveira, que registrou “Passou,
passou” (Moacyr Luz e Rogério Batalha) em seu primeiro CD, produzido por Zé
Renato (Boca Livre); e de Manu Santos, que gravou em seu disco de estreia “Domingo
é dia” (Moacyr Luz e Rogério Batalha).
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Promoção de Natal
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
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