Oswaldo Martins. Poeta e professor de literatura. Autor dos livros desestudos, minimalhas do alheio, lucidez do oco, cosmologia do impreciso, língua nua com Elvira Vigna, lapa, manto, paixão e Antiodes, com Alexandre Faria. Editor da TextoTerritório
sábado, 26 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Camonianas
dedicatória
ña senhora, tenho-vos mandado uma enxurrada de versos que
não são de minha autoria , são versos que me veem dos tantos versos que li, mas
o amor de que falam é meu – é o amor que tenho por si.
I
amo-te tanto
de um amor tão grande
para uma vida tão curta.
II
olhos
só os tenho
para ti.
III
estava assim tão cansado
de amores desenganados
quando Circe pôs sua mão
sobre minha mão.
IV
amo-te
de um amor tão grande
quem me dera
fosse amor pequenino.
V
estando de AMOR
desiludido e magoado
a sofrer danos por gestos
ousados
vi em Circe
bela e comedida
um mover de olhos, brando e piedoso,
um riso brando e honesto
um doce e humilde gesto.
VI
dizei-me senhora
por que me queres o corpo
se vos ofereço a alma?
VII
de todo o meu amor
não serás senhora
de todo o teu amor
não serei escravo.
VIII
não é a tua beleza
que me intimida
temo os deuses
que por desobediência minha
e inveja deles
me tolham as mãos
IX
que me dizes AMOR
agora que te venço
X
que me dizes agora AMOR
que tenho sobre teu peito
a ponta da minha espada.
XI
sei senhora
medir bem o amor
que vos dedico
sei por vossa recusa
e pelas penas e mágoas tristes
em que vivo.
XII
não devias senhora
recusar-me um sorriso bondoso
não devias senhora
recusar-me um olhar piedoso.
XIII
Nise
estar ao pé ti
é estar sentado
à
sombra
dum álamo copado.
XIV
esta impaciência
que me
impacienta
é a impaciência
do amor
elesbão
(14/05/2011-19/11/2011)
sábado, 19 de novembro de 2011
pilulinha
Dois novos livros de poesia
chegaram esta semana a minhas mãos. O olho empírico,
de Dora Ribeiro e o Junco, de Nuno Ramos. Aliás, dois grandes livros, em tudo
dessemelhantes, mas próximos pela alta qualidade que possuem e faz deles um dos
melhores lançamentos da poesia brasileira neste ano.
Olho
empírico – como é saboroso isto – não traz a mínima pista de quem é a autora.
Seco, não contém mais informações que as necessárias para o leitor – apenas os
poemas em sua nudez, nenhuma informação adicional. Basta ao leitor que leia os
poemas e com eles se conforte e frua a excessiva beleza que contêm.
Junco,
ao contrário, é prodigo em informações sobre o autor. Data de nascimento,
prêmios recebidos, livros publicados, uma bela orelha de Flora Sussekind e a
informação adicional de que o autor, cujas obras são belas, é também artista
plástico.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Poema do Olho Empírico de Dora Ribeiro
o meu rosto e o teu cinema
são matéria do mesmo
manifesto
da mesma hora precária
carregam dúvidas
e escrevem com
os mesmos sinais a
paisagem do erro
(dora ribeiro - olho empírico)
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Três poemas
desimitação de olavo bilac
para tom zé
bem no centro do olho
do crânio
lugar típico onde
se tomam decisões
há um buraco negro
que sem ora direis
reapaga as estrelas
da via-láctea
1
os articulados com por cento
fazem ginástica em apartamentos
fechados
leem em o globo
as novidades da hora
e
no econômico jornal
da moda
as sandices repetidas
ad nauseam
2
este
o pulso do poema
a sinistra capsula
a queda
a indução
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
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