terça-feira, 19 de março de 2013

Maria Montero poesia da Costa Rica


La única luz del mundo
(De La mano suicida)

La única luz del cuarto
ilumina la mirada de Oscar Wilde
sentado hace un siglo al lado de su amante.

Mis palabras han muerto.
Nada puede salvarlas ya
de esa arquitectura que pone su
acento en las órbitas vacías.
Donde ellas estuvieron
sólo me queda una pared
iluminada por el tedio.

La única luz del cuarto
no me permite el mundo.

(Maria Montero)


A única luz do mundo
(De La mano suicida)

A única luz do quarto
ilumina o olhar de Oscar Wilde
sentado há um século ao lado de seu amante.

Minhas palavras morreram.
Nada pode mais salvá-las
dessa arquitetura que põe seu
acento nas órbitas vazias.
Onde elas estiveram
só me resta uma parede
iluminada pelo tédio.

A única luz do quarto
não me garante o mundo.

(trad. Antônio Miranda)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Carlos Careqa - MADE IN CHINA

https://www.youtube.com/watch?v=k_9fExWH0oU

Made in China




O Macintosh tem sangue chinês
O meu casaco um peruano fez
E a bicicleta ergométrica
Foi um cigano japonês
A cobertura do bolo holandês
Não está mais ao gosto do freguês
Minha vizinha senegalinha
Comeu mais um frango xadrez.

Tudo é Made in China
Tudo é medicina e não vai melhorar
Tudo é uma estranheza
Lá em Fortaleza já tem Bagdá
Tudo parece perfeito
Mas o meu prefeito
Não quer trabalhar
Este relógio de marca
Parece não marca
As horas que ele finge marcar.

Não tenho sangue nas veias
E aquela baleia não quero salvar
Já fiz a minha promessa
Não vejo mais peça
Onde não possa atuar
Eu sou um cara nervoso
Não como mais ovo
Que eu não veja botar
Fiquei um pouco assustado
O pessoal de Kosovo
Já pode votar.

(Carlos Careqa)

domingo, 17 de março de 2013

Na boca


Começaram a conversar do nada. Não se conheciam. Falaram bem à vontade.  Só depois soube que ela era de fazer programas Pedira o número do telefone dele. No dia seguinte ele viu no celular uma chamada perdida. Era dela. Estava na caixa postal, não deixou recado. Dizia o nome dela e dizia fazer tudo, tudo de amor. Ligou outra vez para ter certeza do que ouvira. Não deixou recado, nada disse. Pelo número registrado do telefone dele, ela saberia que ele tinha ligado.
Dias depois, ligou. Sugeriu um encontro que ele recusou. Não estava interessado em fazer programa com ela. Não quero fazer programa, quero ver você. Você não vai pagar nada. Que mais? Perguntou ele. Eu deixo você beijar na boca. Eu quero que você me beije na boca na boca. Na boca, ouviu?

elesbão ribeiro

Catalina Gonzáles poesia boliviana


Vaivem

De tanto vestirnos y desnudarnos
estamos envejeciendo.

Nuestras imágenes em múltiples espejos
se van quebrando lentamente.

¿Qué traje eligiremos hoy,
el de la vida o el de la muerte?

(Catalina Gonzáles)


Vai-e-vem

De tanto vestir-nos e despir-nos
estamos envelhecendo.

Nossas imagens em múltiplos espelhos
vão se rompendo lentamente.

Que roupa usaremos hoje,
a da vida ou a da morte?

(trad. Antônia Miranda)

Alberto Antonio Verón poesia colombiana


Calle de los milagros

Convencer
A mi cuerpo
que no exprese nada,

                            nada contrario al afán de vivir,
                            nada distinto a la certeza del deseo.

(Alberto Antonio Verón)


Rua dos milagres

Convencer
meu corpo
que não expresse nada,


                                      nada contrário ao afã de viver,
                                      nada diferente da certeza do desejo.

(trad. Antônio Miranda)

Kori Bolivia poesia boliviana


¡ Duele!

Duele mi pueblo hambriento,
el niño con su faz descolorida.
Duele escuchar el viento
solitario de la patria empobrecida.
Esa carcajada misteriosa
hija de la muerte.

(KORI BOLIVIA, La Paz, 24-10-74, do livro Espuma de los días)

Dói

Dói meu povo faminto,
a criança de rosto descolorido.
Dói escutar o vento
solitário da pátria empobrecida.
Essa gargalhada misteriosa
filha da morte.

         (Tradução de Anderson Braga Horta)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Josefina Pla Poesia Paraquaia


TIEMPO VESTIDO DE MUJER

Yo no tuve otro viático
que mi ansiedad de cielos
mi furia por vivir

y ver la espalda esquiva de los sueños
mi ciego anhelo de perder
mi cuerpo
en otro
cuerpo ciego

Yo no tuve jamás sino esa sed
yesca oculta de todos los incendios
en ansia
de alcanzar mis raíces descolgándose adentro
desde este corazón que ya consume
en tizón el cansancio del recuerdo
y en que germina oculto
el musgo del silencio.

(Josefina Pla – La llama y la arena, 1987)

Carmen Martin Poesia Chilena


hay estatuas sin ojos
que miran las ventanas y marcan
con el dorso aflado de tu abrigo
el tiempo que inventas y no logro descifrar

(Carmen Martin)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Simón Zavala Guzmán Poesia Equador


La odisea

Busca Ia longitud dei
firmamento
la imagen dei espejo
abre la noche con tu barco a
velas
lanza tu catalejo a perseguir
planetas
si una estrella te guía
muérdele los pezones y seca
Siempre Ia red para mañana.

Encontrarás la llave. Esa costa
imposible que alimenta tu viaje.
ese Ulises que te metiste
adentro
cuando inventaste el muelle.
Aguarda
no te vacíes sobre Ia liquidez
del mar
sigue el itinerário de los peces
el paso de los sueños
el trigo de tu pan. Descubrirás
la ciudad que deshiciste en tu
imaginación
la que ha tendido el límite a tu
brújula.

Cuando regreses junto a la chimenea
ella estará tejiendo la esperanza.

(Simón Zavala Guzmán)


a odisseia

Procura a longitude do
firmamento
a imagem do espelho
abre a noite com teu barco
a velas
lança tua luneta para perseguir
planetas
se uma estrela te guia
morde-lhe os mamilos e seca
a rede para amanhã.

Encontrarás a chave. Essa costa
impossível que alimenta tua viagem.
Esse Ulisses que colocaste por
Dentro
quando inventaste o porto.
Aguarda
não te esvazies sobre a liquidez
do mar
segue o itinerário dos peixes
o passo dos sonhos
o trigo de teu pão.  Descobrirás
a cidade que se desfez em tua
imaginação
a que acrescentou limite à tua
bússola.

Quando regressares junto à chaminé
ela estará tecendo a esperança.

(trad. Nina Reis)