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terça-feira, 28 de novembro de 2023

bacantes

 

elas – sobre quem dispõe deveres

e os lares submersos assombram

com esgares de toda a monta –

foram chamadas à montanha

 

pele de gamo e folhas de hera

ornam-lhes a cabeça

jovens tranças em desalinho

se aprestam aos ares

 

dentuças se atiçam desabaladas

em correria em gritos em fúria

tomam o vinho que escorre

desde os peitos até os pés

 

e com a ponta concava da boceta

os corpos pisoteiam e cobram

a desdita e a descrença

aos que a elas tecem enganos

sábado, 15 de abril de 2023

a voz

compõe silêncios

apêndice tosco

dos murmúrios a gritos

 

desconexa se acha

ante a selva cristalina

do nada

 

furúnculo de castelos

cortesã castrada

dos paralíticos de babel

 

a infrutífera constrói-se

pimpona no último gesto

da visita triste

 

sexta-feira, 24 de março de 2023

ecoo

 

dos latidos ancestrais o rapsodo

errante lucidez de oculta chama

cultua nos antigos versos o êxodo

das palavras a máscara-amálgama

 

do cão a vagar desde os asterismos

que fulgem ao longe dos caçadores

seu brilho apagado ao apagado ror

de cores no ermo dos eufemismos

 

guarda o dia que passa, outro nenhum

provém de tua espera e dança e canta

e aprende com o ritmo o mutismo

 

do oculto sentido múltiplo do um

dispõe no não do dizer decanta-o

faz gritar a língua prenhe de abismos