quinta-feira, 25 de novembro de 2010

o cão doido à maneira dos anos 70


quantas e quais as atitudes do cão doido:

a primeira afirmar-se cão;
a segunda afirmar-se doido

depois fazer-se esteta dos cães outros
que se querem doido-cão

o cão doido e seus filhotes
cães doidinhos

planetarizam a vocação
de latirem em uníssono

seu vasto repertório
de ão-ão-ãos

(oswaldo martins)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Didascália 11

didascália 11

ousa o autor afrontar a lírica porno-erótica de Gregório Matos Guerra, poeta barroco libertino e baiano com estes versos


eras só buceta
mas esse teu rosto sorridente
esses teus olhos coniventes
esse teu jeito cuidoso
de mim
esse teu olhar sorridente
(Elesbão)

sábado, 20 de novembro de 2010

a esfinge do poeta

no que a voz enrouquecida
da bolha da miséria

trança palavras
os meninos desnudados

as parcas constelações
dos que aos cinco anos

são das mulatas os valentes
para cigarros deixados

no quarto

(oswaldo martins)

Nelson cavaquinho

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

soneto de juiz de fora

soneto de juiz de fora

fotos são memórias inventadas
sobre noite de saquês e cujás
repórteres de sazões e das cruas
esquinas dispostas ao léu ao nada

fotos talvez são que deixam de ser
ante o esfuziante para sempre
recado solto no ocaso do deter
o que acaso e afeto reacalentou

como água de que se necessita
à garganta ao espasmo da dor
a desfoto guarda na noite fita

o frio fora e em outras a noite
ressurgirá plena seja onde for
hipótese una de qualquer fator

(oswaldo martins)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Palavras-urzes

quando se resfaz – o pensamento
poucas as repetições semânticas

as que desatam o nós dos mantos
deliram coices de belezas sutis

nem água mar ou rio a solidão
desata-se que das oiças guardam

o revoltear do mundo são palavras
em queda nos invólucros

de perdida natureza vasta plenitude
deste homem anjo urdido em caixas

de sapato a pisar descalço
o construto de um mundo

e sua rouquidão silábica

(oswaldo martins)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

III SEMANA DE LETRaS DA UFJF

PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira (08/11)
18:00 - 19:45: credenciamento
20:00 - 21:00: ABERTURA - As pequenas memórias de José Saramago - Profª Maria Luiza Scher (UFJF)

Terça-feira (09/11)
8:30 - 10:00: Minicurso 1: Ensino de Língua Estrangeira para crianças. Teoria e Prática – Profª. Valéria Serrão, Profª Ana Cláudia Peters (UFJF) e Phelippe Nathaniel
Minicurso 2: Estética da recepção - Prof. William Redmond (CES/JF)
10:30 – 12:00: Mesa 1: A tradução em debate: reflexões e perspectivas - Adail Sobral (UCPel), Beatriz Caldas (Universidade Gama Filho e Universidade Estácio de Sá), Patricia Fabiane Cunha Lacerda (UFJF)

14:00 - 15:45: Comunicação especial: Literatura Latino-Americana - Profº Juan Pablo Chiappara (UFV), Profª Silvina Carrizo (UFJF) e Profª Ana Beatriz Gonçalves (UFJF)

18:00 - 19:45: Minicurso 5: Leitura de texto poético – Profª Terezinha Scher (UFJF)
Minicurso 6: Leitura e Escrita em Gêneros Textuais - Profª Marta Cristina e Terezinha Barroso

20:00 – 21:30: Mesa 3: Cognição, interação e tecnologias – Profª Edwiges Morato (Unicamp), Profª Rove Chishman (Unisinos), Profª Isa Mara da Rosa Alves (Unisinos) e Profª Margarida Salomão (UFJF)

Quarta-feira (10/11)
8:30 - 10:00: Minicurso 1: Ensino de Língua Estrangeira para crianças: teoria e prática - Prof. Valéria Serrão, Profª Ana Cláudia Peters (UFJF) e Phelippe Nathaniel
Minicurso 2: Estética da recepção - Prof. William Redmond (CES/JF)
10:30 – 12:00: Mesa 4: A diversidade linguística na sala de aula: perspectivas – Profª Cláudia Roncarati (UFF), Profª Patrícia Fabiane Amaral (UFJF), Profª Jânia Ramos (UFMG)
14:00 – 15:45: Minicurso 4: As cadeias do texto: construindo sentidos – Profª Cláudia Roncarati (UFF)
16:15 – 17:45: Sessão de comunicações
18:00 - 19:45: Minicurso 5: Leitura de texto poético – Profª Terezinha Scher (UFJF)
Minicurso 6: Leitura e Escrita em Gêneros Textuais - Profª Marta Cristina (UFJF) e Profª Terezinha Barroso (UFJF)
Sessão de comunicações
20:00 – 21:30: Mesa 5: Violência em sala de aula – Giane Elisa (Educação sem homofobia), Carolina Pinho (Associação Nacional de Pós-Graduandos), Roberto Cupollilo (Sindicato dos Professores – SINPRO/JF)


Quinta-feira (11/11)
8:30 – 10:00: Minicurso 3: A variação linguística em debate: um estudo de caso a partir do juridiquês - Profª Patrícia Fabiane A. da Cunha Lacerda
10:30 – 12:00: Mesa 6: Erotismo – Oswaldo Martins, Alexei Bueno e Tatiana Franca (UFG)
14:00 – 15:45: Minicurso 4: As cadeias do texto: construindo sentidos – Profª Cláudia Roncarati (UFF)
16:15 – 17:45: Sessão de comunicações
18:00 - 19:45: Minicurso 5: Leitura de texto poético – Profª Terezinha Scher (UFJF)
Minicurso 6: Leitura e Escrita em Gêneros Textuais - Profª Marta (UFJF) e Profª Terezinha Barroso (UFJF)
20:00 – 21:30: Mesa 7: Tendências na Literatura Brasileira contemporânea – Lúcia Facco, Prof. André Monteiro (UFJF) e Paulo Roberto Tonani (Puc-Rio)

Sexta-feira (12/11)
8:30 – 10:00: Minicurso 3: A variação linguística em debate: um estudo de caso a partir do juridiquês - Profª Patrícia Fabiane A. da Cunha Lacerda
10:30 – 12:00: Mesa 8: Literatura e outras mídias – Prof. Alexandre Faria (UFJF), Prof. Afonso Rodrigues (UFJF), Profª Jovita Noronha (UFJF), Prof. Anderson Pires (CES/JF)
14:00 – 15:45: Sessão de comunicações
16:15 – 17:45: Sessão de comunicações
18:00 – 19:45: Roda de escritores
20:00: Encerramento

Poema do dia

PAISAGEM PELO TELEFONE

Sempre que no telefone
me falavas, eu diria
que falavas de uma sala
toda de luz invadida,

sala que pelas janelas,
duzentas, se oferecia
a alguma manhã de praia,
mais manhã porque marinha,

a alguma manhã de praia
no prumo do meio-dia,
meio-dia mineral
de uma praia nordestina,

Nordeste de Pernambuco,
onde as manhãs são mais limpas,
Pernambuco do Recife,
de Piedade, de Olinda,

sempre povoado de velas,
brancas, ao sol estendidas,
de jangadas, que são velas
mais brancas porque salinas,


que, como muros caiados
possuem luz intestina,
pois não é o sol quem as veste
e tampouco as ilumina,

mais bem, somente as desveste
de toda sombra ou neblina,
deixando que livres brilhem
os cristais que dentro tinham.

Pois, assim, no telefone
tua voz me parecia
como se de tal manhã
estivesses envolvida,

fresca e clara, como se
telefonasses despida,
ou, se vestida, somente
de roupa de banho, mínima,

e que por mínima, pouco
de tua luz própria tira,
e até mais, quando falavas
no telefone, eu diria

que estavas de todo nua,
só de teu banho vestida,
que é quando tu estás mais clara
pois a água nada embacia,

sim, como o sol sobre a cal
seis estrofes mais acima,
a água clara não te acende:
libera a luz que já tinhas.

(João Cabral de Melo Neto)