Oswaldo Martins. Poeta e professor de literatura. Autor dos livros desestudos, minimalhas do alheio, lucidez do oco, cosmologia do impreciso, língua nua com Elvira Vigna, lapa, manto, paixão e Antiodes, com Alexandre Faria. Editor da TextoTerritório
segunda-feira, 28 de maio de 2018
domingo, 27 de maio de 2018
sexta-feira, 25 de maio de 2018
goya
pichar os muros
como se último goya
em abismo a preto e branco
das desfiguras que assombram
opinativas o país carcomido dos asnos
que avoam qual mostrengos que o levam
como se lavassem a alma ao poço bem fundo
das masmorras ao desalento e ao gáudio funesto
da desrazão
(oswaldo martins)
quinta-feira, 24 de maio de 2018
A árvore e a nuvem
Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.
Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.
(1962)
TOMAS TRANSTRÖMER
quinta-feira, 10 de maio de 2018
o socalco da madame
do sul primário a lição das descoisas:
um fio q se arrasta feito de soberbas
no próprio umbigo a olhar-se ousia
do vago-simpático feitor de escravos
do sul primário a raiva dos privilégios:
um q! cu róseo de aromáticas águas
aos traques do pseudo alabastrino
vaso de vazar as tripas intestinas
do sul primário a malsã consciência:
do quid do quê – puto discursivo
de alquímicas lambanças finas –
quando desanca a baiana voz
dos paraíbas
(oswaldo martins)
quinta-feira, 3 de maio de 2018
matula
as praças transitam por meus ombros
carrego-as a tiracolo e translúcidas
borboletas pousam-me os escombros
atassalhados pelas larvas úmidas
bebo o rasto líquido das pernas
que transitam no vai e vem das calçadas
me chutam me pisam como deidades
neo-liberadas de extensas catervas
me indagam se de divas se de súcubas
o manto das praças pórticas cobre-me
a mão descarnada da mão defunta
por vagar sem defesas como ao léu
andam os homens cujas bolas caput
pelos honrados homens da lei
(oswaldo martins)
malta
que os versos os proíbam
velhos poetas da minha laia
a certeza que se segue
às palavras
que lhes tragam antrazes
não na alma
que é lugar vazio
mas feridas nas pernas
e lhes façam pungir
o engodo dos nomes
pelas noites malsãs
da sordidez
quarta-feira, 21 de março de 2018
xou da xuxa – o ovo da serpente
estavam abertas as portas
e ela chupava o pirulito bá-om bá-om
a linguinha esperta percorria o pra lá pra cá do deleite
baboso
estavam abertas as portas e pelo queixo no sinal luminoso
escorria a cantoria cega do chup-chup que a menininha
na aziaga travessia sugava
estavam abertas a portas para a pequenina idiota
que se mirava na exemplaridade da moça
de salto alto e anúncios luminosos
estavam abertas as portas e as potências do horror
(oswaldo martins)
sábado, 10 de março de 2018
o gata de isshi nobuo
no equilíbrio de pedra
as disposições ternárias
deste gata
múltiplas hastes
o sustentam nela
afiadas
orelhas captam
de isshi nobuo
o assombro-gata
a parir as belezas
de cio
(oswaldo martins)
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