1 – À Espera dos Bárbaros – J. M. Coetzee. Cia. das Letras. 2006.
2 – Ensaios – T. S. Elliot. Art Editora. 1989.
3 – Coisas e anjos de Rilke. Trad. Augusto de Campos. Editora Perspectiva. 2001.
4 – Dentro do teatro de Marionetes – André Rangel Rios. Record. 2007.
5 – Máquina do Mundo Repensada. Haroldo de Campos. Ateliê Editorial. 2000
Oswaldo Martins. Poeta e professor de literatura. Autor dos livros desestudos, minimalhas do alheio, lucidez do oco, cosmologia do impreciso, língua nua com Elvira Vigna, lapa, manto, paixão e Antiodes, com Alexandre Faria. Editor da TextoTerritório
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
tour
se contarmos as tensões
pelos números
de passos que demos
ontem à noite
nas calçadas
se contarmos as fissuras
no asfalto
das ruas
que queremos visitar
juntos
um dia
se falarmos
sobre as esquinas que dobramos
as palavras impossíveis de engolir
e a tentativa de
silêncio
se fizermos tudo isso
e ainda encontrarmos tempo para mais
mundos vão desabar
em uma agonia
de primeira classe
de futuros
milagres
(Lúcia Leão)
pelos números
de passos que demos
ontem à noite
nas calçadas
se contarmos as fissuras
no asfalto
das ruas
que queremos visitar
juntos
um dia
se falarmos
sobre as esquinas que dobramos
as palavras impossíveis de engolir
e a tentativa de
silêncio
se fizermos tudo isso
e ainda encontrarmos tempo para mais
mundos vão desabar
em uma agonia
de primeira classe
de futuros
milagres
(Lúcia Leão)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Averno
1
turva delícia
composição de fados
textura do caos
no limite
deste sorriso
embaciado
2
torpe delícia
do silêncio
a voz nenhuma
o cativeiro
das palavras
3
diriam as palavras
em sua azáfama
a língua vil
engastada
nos dias
4
depois dos dias
a língua
das palavras
vidrenta
para aquém de si
revelaria
o nada
5
as tarefas
e os dias
nada de nada
deixam que reste
soturna
na delícia
das manhãs cavas
6
não vale coisa a coisa
tudo em seu sentido
harpa
delta
corcovados
quando a palavra
sabe de si
e emudece
7
os passantes passam
não há segundo
não há destino
nem quando ela olha
nem quando o outro
averno
olha os passantes
que apenas passam
8
havia
um marchant d’allumets
que olhou
por baixo da saia
da mulher que passava
veio um cão
sarnento cão
que afagou o nada
e se foi
9
um oco
lúcido
a lucidez do oco
a morfina do não
revela
os dias
quando os dias
cessam
10
turva delícia
lábios
ou antes
dentes
ou ainda
antes
a mandíbula
do morto
(oswaldo martins)
turva delícia
composição de fados
textura do caos
no limite
deste sorriso
embaciado
2
torpe delícia
do silêncio
a voz nenhuma
o cativeiro
das palavras
3
diriam as palavras
em sua azáfama
a língua vil
engastada
nos dias
4
depois dos dias
a língua
das palavras
vidrenta
para aquém de si
revelaria
o nada
5
as tarefas
e os dias
nada de nada
deixam que reste
soturna
na delícia
das manhãs cavas
6
não vale coisa a coisa
tudo em seu sentido
harpa
delta
corcovados
quando a palavra
sabe de si
e emudece
7
os passantes passam
não há segundo
não há destino
nem quando ela olha
nem quando o outro
averno
olha os passantes
que apenas passam
8
havia
um marchant d’allumets
que olhou
por baixo da saia
da mulher que passava
veio um cão
sarnento cão
que afagou o nada
e se foi
9
um oco
lúcido
a lucidez do oco
a morfina do não
revela
os dias
quando os dias
cessam
10
turva delícia
lábios
ou antes
dentes
ou ainda
antes
a mandíbula
do morto
(oswaldo martins)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A PANTERA
De tanto olhar as grades seu olhar
esmorece e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vês em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
(Rainer Maria Rilke – Trad. Augusto de Campos)
esmorece e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vês em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
(Rainer Maria Rilke – Trad. Augusto de Campos)
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Terrance Hayes
Diz a Lúcia:
Esse é um dos meus favoritos do Terrance Hayes, chama “The Blue Terrance”. Descobri esse poeta há pouco tempo e amei esse poema aí, particularmente. Autor de Hip Logic e Muscular Music, foi premiado com o Whiting Writers Award e o Puschcart Prize. É professor de creative writing na Carnegie Mellon University em Pittsburgh, Pennsylvania.
The Blue Terrance
If you subtract the minor losses,
you can return to your childhood too:
the blackboard chalked with crosses,
the math teacher's toe ring. You
can be the black boy not even the buck-toot
hed girls took a liking to:
the match box, these bones in their funk
machine, this thumb worn smooth
as the belly of a shovel. Thump. Thump.
Thump. Everything I hold takes root.
I remember what the world was like before
I heard the tide humping the shore smooth,
and the lyrics asking: How long has your door
been closed? I remember a garter belt wrung
like a snake around a thigh in the shadows
of a wedding gown before it was flung
out into the bluest part of the night.
Suppose you were nothing but a song
in a busted speaker? Suppose you had to wipe
sweat from the brow of a righteous woman,
but all you owned was a dirty rag? That's why
the blues will never go out of fashion:
their half rotten aroma, their bloodshot octaves of
consequence; that's why when they call, Boy, you're in
trouble. Especially if you love as I love
falling to the earth. Especially if you're a little bit
high strung and a little bit gutted balloon. I love
watching the sky regret nothing but its
self, though only my lover knows it to be so,
and only after watching me sit
and stare off past Heaven. I love the word No
for its prudence, but I love the romantic
who submits finally to sex in a burning row-
house more. That's why nothing's more romantic
than working your teeth through
the muscle. Nothing's more romantic
than the way good love can take leave of you.
That's why I'm so doggone lonesome, Baby,
yes, I'm lonesome and I'm blue.
Esse é um dos meus favoritos do Terrance Hayes, chama “The Blue Terrance”. Descobri esse poeta há pouco tempo e amei esse poema aí, particularmente. Autor de Hip Logic e Muscular Music, foi premiado com o Whiting Writers Award e o Puschcart Prize. É professor de creative writing na Carnegie Mellon University em Pittsburgh, Pennsylvania.
The Blue Terrance
If you subtract the minor losses,
you can return to your childhood too:
the blackboard chalked with crosses,
the math teacher's toe ring. You
can be the black boy not even the buck-toot
hed girls took a liking to:
the match box, these bones in their funk
machine, this thumb worn smooth
as the belly of a shovel. Thump. Thump.
Thump. Everything I hold takes root.
I remember what the world was like before
I heard the tide humping the shore smooth,
and the lyrics asking: How long has your door
been closed? I remember a garter belt wrung
like a snake around a thigh in the shadows
of a wedding gown before it was flung
out into the bluest part of the night.
Suppose you were nothing but a song
in a busted speaker? Suppose you had to wipe
sweat from the brow of a righteous woman,
but all you owned was a dirty rag? That's why
the blues will never go out of fashion:
their half rotten aroma, their bloodshot octaves of
consequence; that's why when they call, Boy, you're in
trouble. Especially if you love as I love
falling to the earth. Especially if you're a little bit
high strung and a little bit gutted balloon. I love
watching the sky regret nothing but its
self, though only my lover knows it to be so,
and only after watching me sit
and stare off past Heaven. I love the word No
for its prudence, but I love the romantic
who submits finally to sex in a burning row-
house more. That's why nothing's more romantic
than working your teeth through
the muscle. Nothing's more romantic
than the way good love can take leave of you.
That's why I'm so doggone lonesome, Baby,
yes, I'm lonesome and I'm blue.
PROMETHEUS / PROMETEU
Bedecke deinen Himmel, Zeus,
Mit Wolkendunst
Und übe, dem Knaben gleich,
Der Disteln köpft,
An Eichen dich und Bergeshöhn:
Musst mir meine Erde
Doch lassen stehn
Und meine Hütte, die du nicht gebaut,
Und meinen Herd,
Um dessen Glut
Du mich beneidest.
Ich kenne nichts Ärmeres
Unter der Sonn ais euch, Götter!
Ihr nähret kümmerlich
Von Opfersteuern
Und Gebetshauch
Eure Majestät
Und darbtet, wären
Nicht Kinder und Bettler
Hoffnungsvolle Toren.
Da ich ein Kind war,
Nicht wusste, wo aus noch ein,
Kehrt ich mein verirrtes
Auge Zur Sonne, ais wenn drüber wär
Ein Ohr, zu hören meine Klage,
Ein Herz wie meins,
Sich des Bedrängten zu erbarmen.
Wer half mir
Wider der Titanen Übermut?
Wer rettete vom Tode mich,
Von Sklaverei?
Hast du nicht alies selbst vollendet,
Heilig glühend Herz?
Und glühtest, jung und gut,
Betrogen, Rettungsdank
Dem Schlafenden da droben? .
Ich dich ehren? Wofür?
Hast du die Schmerzen gelindert
Je des Beladenen?
Hast du die Tränen gestillet
Je des Geängsteten?
Hat nicht mich zuni Manne geschmiedet
Die allmächtige Zeit
Und das ewige Schicksal,
Meine Herrn und deine?
Wähntest du etwa,
Ich sollte das Leben hasse,
In Wüsten fliehen,
Weil nicht alie Blütenträume reiften?
Hier sitz ich, forme Menschen
Nach meinem Bilde,
Ein Geschlecht, das mir gleich sei:
Zu leiden, zu weinen,
Zu geniessen und zu freuen sich,
Und dein nicht zu achten,
Wie ich!
(Goethe)
Encobre o teu céu, ó Zeus,
Com vapores de nuvens,
E, qual menino que decepa
A flor dos cardos,
Exercita-te em robles e cristas de montes;
Mas a minha Terra
Hás-de-ma deixar,
E a minha cabana, que não construíste,
E o meu lar,
Cujo braseiro
Me invejas.
Nada mais pobre conheço
Sob o sol do que vós, ó Deuses!
Mesquinhamente nutris
De tributos de sacrifícios
E hálitos de preces
A vossa majestade;
E morreríeis de fome, se não fossem
Crianças e mendigos
Loucos cheios de esperança.
Quando era menino e não sabia
Pra onde havia de virar-me,
Voltava os olhos desgarrados
Para o sol, como se lá houvesse
Ouvido pra o meu queixume,
Coração como o meu
Que se compadecesse da minha angústia.
Quem me ajudou
Contra a insolência dos Titãs?
Quem me livrou da morte,
Da escravidão?
Pois não foste tu que tudo acabaste,
Meu coração em fogo sagrado?
E jovem e bom — enganado —
Ardias ao Deus que lá no céu dormia
Tuas graças de salvação?!
Eu venerar-te? E por quê?
Suavizaste tu jamais as dores
Do oprimido?
Enxugaste jamais as lágrimas
Do angustiado?
Pois não me forjaram Homem
O Tempo todo-poderoso
E o Destino eterno,
Meus senhores e teus?
Pensavas tu talvez
Que eu havia de odiar a Vida
E fugir para os desertos,
Lá porque nem todos
Os sonhos em flor frutificaram?
Pois aqui estou! Formo Homens
À minha imagem,
Uma estirpe que a mim se assemelhe:
Para sofrer, para chorar,
Para gozar e se alegrar,
E pra não te respeitar,
Como eu!
(Goethe tradução de Paulo Quintela)
Mit Wolkendunst
Und übe, dem Knaben gleich,
Der Disteln köpft,
An Eichen dich und Bergeshöhn:
Musst mir meine Erde
Doch lassen stehn
Und meine Hütte, die du nicht gebaut,
Und meinen Herd,
Um dessen Glut
Du mich beneidest.
Ich kenne nichts Ärmeres
Unter der Sonn ais euch, Götter!
Ihr nähret kümmerlich
Von Opfersteuern
Und Gebetshauch
Eure Majestät
Und darbtet, wären
Nicht Kinder und Bettler
Hoffnungsvolle Toren.
Da ich ein Kind war,
Nicht wusste, wo aus noch ein,
Kehrt ich mein verirrtes
Auge Zur Sonne, ais wenn drüber wär
Ein Ohr, zu hören meine Klage,
Ein Herz wie meins,
Sich des Bedrängten zu erbarmen.
Wer half mir
Wider der Titanen Übermut?
Wer rettete vom Tode mich,
Von Sklaverei?
Hast du nicht alies selbst vollendet,
Heilig glühend Herz?
Und glühtest, jung und gut,
Betrogen, Rettungsdank
Dem Schlafenden da droben? .
Ich dich ehren? Wofür?
Hast du die Schmerzen gelindert
Je des Beladenen?
Hast du die Tränen gestillet
Je des Geängsteten?
Hat nicht mich zuni Manne geschmiedet
Die allmächtige Zeit
Und das ewige Schicksal,
Meine Herrn und deine?
Wähntest du etwa,
Ich sollte das Leben hasse,
In Wüsten fliehen,
Weil nicht alie Blütenträume reiften?
Hier sitz ich, forme Menschen
Nach meinem Bilde,
Ein Geschlecht, das mir gleich sei:
Zu leiden, zu weinen,
Zu geniessen und zu freuen sich,
Und dein nicht zu achten,
Wie ich!
(Goethe)
Encobre o teu céu, ó Zeus,
Com vapores de nuvens,
E, qual menino que decepa
A flor dos cardos,
Exercita-te em robles e cristas de montes;
Mas a minha Terra
Hás-de-ma deixar,
E a minha cabana, que não construíste,
E o meu lar,
Cujo braseiro
Me invejas.
Nada mais pobre conheço
Sob o sol do que vós, ó Deuses!
Mesquinhamente nutris
De tributos de sacrifícios
E hálitos de preces
A vossa majestade;
E morreríeis de fome, se não fossem
Crianças e mendigos
Loucos cheios de esperança.
Quando era menino e não sabia
Pra onde havia de virar-me,
Voltava os olhos desgarrados
Para o sol, como se lá houvesse
Ouvido pra o meu queixume,
Coração como o meu
Que se compadecesse da minha angústia.
Quem me ajudou
Contra a insolência dos Titãs?
Quem me livrou da morte,
Da escravidão?
Pois não foste tu que tudo acabaste,
Meu coração em fogo sagrado?
E jovem e bom — enganado —
Ardias ao Deus que lá no céu dormia
Tuas graças de salvação?!
Eu venerar-te? E por quê?
Suavizaste tu jamais as dores
Do oprimido?
Enxugaste jamais as lágrimas
Do angustiado?
Pois não me forjaram Homem
O Tempo todo-poderoso
E o Destino eterno,
Meus senhores e teus?
Pensavas tu talvez
Que eu havia de odiar a Vida
E fugir para os desertos,
Lá porque nem todos
Os sonhos em flor frutificaram?
Pois aqui estou! Formo Homens
À minha imagem,
Uma estirpe que a mim se assemelhe:
Para sofrer, para chorar,
Para gozar e se alegrar,
E pra não te respeitar,
Como eu!
(Goethe tradução de Paulo Quintela)
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
DIÁLOGO DE SANFONEIROS
Comandados pelo velho Luiz, as sanfonas de Oswaldinho, de Sivuca e Dominguinhos – que se vê à esquerda do vídeo, em sua elegante discrição – tocam a bela Asa Branca. Participação de Fagner dialogando no canto com o Gonzaga. Uma beleza que se acentua na tremenda roupa de vaqueiro que Luiz Gonzaga veste.
http://br.youtube.com/watch?v=irIZ3hVRWeM
http://br.youtube.com/watch?v=irIZ3hVRWeM
Alguns vídeos do yutoube
Jakson do Pandeiro cantando Sebastiana
http://br.youtube.com/watch?v=qjyYJ6BniS0&feature=related
Jakson do Pandeiro cantando O canto da ema
http://br.youtube.com/watch?v=qUawNS9JTP8&feature=related
Jakson do Pandeiro cantaando Chiclete com Banana
http://br.youtube.com/watch?v=kshyohhaq6Q&feature=related
http://br.youtube.com/watch?v=qjyYJ6BniS0&feature=related
Jakson do Pandeiro cantando O canto da ema
http://br.youtube.com/watch?v=qUawNS9JTP8&feature=related
Jakson do Pandeiro cantaando Chiclete com Banana
http://br.youtube.com/watch?v=kshyohhaq6Q&feature=related
Jakson do em Pout-pourri
Há nome mais bonito para uma prostituta?
Simples margarida (samba do metro)
Adoniran Barbosa
Você tá vendo aquela mulher que vai indo alí
Ela não quer saber de mim
Sabe por que?
Eu pedi pra conquistar seu bem querer
Eu disse a ela que trabalhava de engenheiro
Que o metrô de São Paulo estava em minhas mãos
E disse que se desse tudo certo
Seria a primeira passageira
Na inauguração
Tudo ía indo muito bem
Até que um dia
Até que um dia
Ela passou de ônibus pela via 23 de maio
E da janela do coletivo me viu
Plantando grama no barranco da avenida
Hoje fiquei sabendo que ela é:
Orgulhosa, convencida
Não passa de uma triste margarida
Orgulhosa, convencida
Não passa de uma triste margarida.
Uns trechos do Adoniran no link
http://br.youtube.com/watch?v=D8ZBxlSFnjY&eurl
http://br.youtube.com/watch?v=Ea5nMXIRxQM&feature=related
http://br.youtube.com/watch?v=plOezZ6936Y
Adoniran Barbosa
Você tá vendo aquela mulher que vai indo alí
Ela não quer saber de mim
Sabe por que?
Eu pedi pra conquistar seu bem querer
Eu disse a ela que trabalhava de engenheiro
Que o metrô de São Paulo estava em minhas mãos
E disse que se desse tudo certo
Seria a primeira passageira
Na inauguração
Tudo ía indo muito bem
Até que um dia
Até que um dia
Ela passou de ônibus pela via 23 de maio
E da janela do coletivo me viu
Plantando grama no barranco da avenida
Hoje fiquei sabendo que ela é:
Orgulhosa, convencida
Não passa de uma triste margarida
Orgulhosa, convencida
Não passa de uma triste margarida.
Uns trechos do Adoniran no link
http://br.youtube.com/watch?v=D8ZBxlSFnjY&eurl
http://br.youtube.com/watch?v=Ea5nMXIRxQM&feature=related
http://br.youtube.com/watch?v=plOezZ6936Y
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