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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

estonteante

pernas de seda ajoelham mostrando geolhos

(cda– igrejas)

 

diz-se de um joelho de estátua

que anda pelas ruas

 

de um amor do que em paixão

fervente e louca cai

 

dos jornais depostos onde se lê

o nada temporal de tudo

 

do que ocluso no alongá-las

nasais ladeadas pelas densas

 

medidas informais 

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O menino da sua mãe

Poema do Dia

O Menino da sua Mãe


No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece")
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.