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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Acasos persistentes

3

Aberta ao fato
de haver palavras,
a poça d'água
reflete, imóvel,
a tarde exata.

E, se acaso,
a vinca um inseto,
a bebe um pássaro
ou a desata um passo,
logo se fecha,
imaculada,
em seu presente inato

(Cláudio Neves - Os acasos persistentes)

domingo, 15 de novembro de 2009

Poema do dia

OS MORTOS

Os mortos não tomam chá
nem sentam
ao piano esquecido aberto.

os mortos não velam
nossas horas debruçadas sobre suas gavetas.
E, se interrogam fundamente do outro lado do espelho,
sequer nos reconhecem.

Os mortos ficam assim porque se concebem.
E há muito trocaram os porta-retratos
por outras formas, mais refinadas, de desprezo.

(Cláudio Neves)