quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Emily Dickinson

I asked no other thing,
No other was denied.
I offered Being for it;
The mighty merchant smiled.

Brazil? He twirled a button,
Without a glance at my way:
“But, madam, is there nothing else
That we can show to-day?”

Emily Dickinson, Collected Poems Enviado por Lúcia Leão

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Miró


René Char Joan Miró


Cabral - Miró

Seria possível outra forma de composição? Seira possível devolver à superfície aquele sentido antigo que seu aprofundamento numa terceira dimensão destruiu completamente? A pintura de Miró me parece responder afirmativamente a esta pergunta. Ela me parece, analisada objetivamente em seus resultados e em seu desenvolvimento, obedecer ao desejo obscuro de fazer voltar à superfície seu antigo papel: o de ser receptáculo do dinâmico. Ela me parece uma tendência para libertar o ritmo do equilíbrio que aprisiona toda a pintura criada com o renascimento.
(João Cabral de Melo Neto - in: Joan Miró)

Outra vez Cioran

J'ai compris que j'avais vielli quand j'ai commencé à sentir que le mot Destruction perdait de son pouvoir qu'il ne me donnait plus ce frisson de triomphe et de plénitude, voisin de la prière, d'une prière agressive...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Memórias do filho do sorveteiro

Não sei quantas horas depois resolveu parar. Levantou da cama e acendeu a luz. Antes não tivesse acendido.

__ Ai, menino, você me ralou a boceta. Gosta tanto assim?
__ Gosto.

Por fim a vi nua. A barriga flácida, as pernas e as coxas cobertas de varizes, os peitos grandes e caídos, a pele suja e encardida, os dentes amarelos e podres. Olhou para mim com as mãos na cintura e riu:

__ Gosta mesmo de mim? Olhe bem.

E deu um giro, alegre, como uma modelo, como uma ninfa púbere com todas as medidas do cânone grego. Olhei bem para ela e me deu raiva de mim mesmo. Ou asco. Não sei.

(Pedro Juan Gutierrez, 2005 p. 15 -16)
Há no aguarrás um texto que escrevi sobre este livro. Vejam no sites onde escrevo.

Travessuras da menina má

Mas o fato mais notável daquele verão foi a chegada a Miraflores, diretamente do Chile, seu distante país, de duas irmãs cuja presença marcante e inconfundível jeito de falar, rapidinho, esquecendo as últimas sílabas das palavras e arrematando as frases com uma exclamação aspirada que soava como um "pueh", deixa­ram abobalhados todos os miraflorenses que acabavam de trocar as calças curtas pelas compridas. E eu, mais do que qualquer outro.

A mais alta parecia ser mais nova e vice-versa. A mais velha chamava-se Lily e era um pouco mais baixinha que Lucy, que tinha um ano menos. Lily devia estar com 14 ou 15 anos, no máximo, e Lucy, com 13 ou 14. O adjetivo marcante parecia ter sido inventado para elas; mas, sem deixar de sê-lo, Lucy era menos marcante que a irmã, não só porque seu cabelo era menos louro e mais curto e se vestia com menos atrevimento que Lily, mas também porque era mais calada e, na hora de dançar, apesar de também fazer firulas e requebrar a cintura com uma audácia que nenhuma miraflorense se atreveria a assumir, parecia uma garota recatada, inibida e quase insípida em comparação com aquele pião, aquela labareda ao vento, aquele fogo-fátuo que era Lily quando, colocados os discos na vitrola, o mambo explodia e começávamos todos a dançar.

(Llosa, Mário Vargas. In Travessuras da menina má. 2006. Objetiva)

Lucian Freud




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

LOS HERALDOS NEGROS (1918)

Hay golpes en la vida, tan fuertes... Yo no sé!
Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos,
la resaca de todo lo sufridose empozara en el alma...

Yo no sé!Son pocos; pero son... Abren zanjas oscuras
en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte.
Serán talvez los potros de bárbaros atilas;
o los heraldos negros que nos manda la Muerte.

Son las caídas hondas de los Cristos del alma,
de alguna fe adorable que el Destino blasfema.
Esos golpes sangrientos son las crepitaciones
de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.

Y el hombre... Pobre... pobre! Vuelve los ojos, como
cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;
vuelve los ojos locos, y todo lo vividose empoza,
como un charco de culpa, en la mirada.
Hay golpes en la vida, tan fuertes... Yo no sé!


TRILCE (1922)

Enviou-me este belo poema Maria Tereza Cardoso.

Rodchenko